Advogado investigado pela PF constrói mansão com heliponto e tem 15 imóveis de R$ 62 mi
Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro, é alvo de inquéritos por suspeita de lavagem de dinheiro. Levantamento da Folha aponta compras de imóveis entre 2021 e 2026.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- Willer Tomaz, investigado pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro, constrói casa com heliponto no Lago Sul, em Brasília.
- Levantamento da Folha mostra ao menos 15 imóveis comprados por ele ou pela WT Imóveis entre 2021 e 2026, somando R$ 62 milhões.
- Ele é alvo de duas frentes da PF, sobre INSS e casas de apostas; Flávio Bolsonaro também é investigado no caso das apostas.
- A assessoria de Willer disse que ele não responderá aos questionamentos da reportagem.
O advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro, está construindo uma casa de três pavimentos (subsolo, térreo e piso superior) com heliponto no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. A obra tem vista para o lago Paranoá e fica em um terreno de 764 m², onde antes havia outra residência, comprada e demolida por ele. As informações são de reportagem da Folha, publicada neste sábado (24).
Segundo a escritura pública de compra e venda citada pelo jornal, o imóvel custou R$ 12,5 milhões e foi adquirido em março de 2024 pela WT Administração de Imóveis e Bens, uma das empresas de Willer.
Imóveis e investigações
Um levantamento de escrituras feito pela Folha indica que, entre 2021 e 2026, Willer ou a WT Imóveis compraram pelo menos 15 imóveis em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo. A soma dos valores chega a R$ 62 milhões.
O advogado é suspeito de lavagem de dinheiro em duas frentes de apuração da PF: uma sobre o desvio de recursos de aposentados do INSS e outra sobre um esquema de casas de apostas. De acordo com a Folha, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência da República e foi o mais votado no primeiro turno, também é investigado no inquérito das apostas. O jornal afirma que os dois são amigos, já se defenderam no Senado, viajaram juntos ao exterior e que há suspeita de sociedade entre eles em negócios sob investigação.
Um ano depois da primeira compra, Willer adquiriu o imóvel vizinho, na mesma quadra e conjunto. A casa tem 494 m² e o lote, 1.033 m². O valor pago foi de R$ 6,1 milhões, sendo R$ 1,83 milhão em transferências bancárias e o restante por financiamento do BRB (Banco de Brasília), conforme a escritura. A reportagem constatou que essa segunda casa parece desabitada, sem circulação de moradores, ao contrário da obra ao lado, que mobiliza trabalhadores e prestadores de serviços de arquitetura, paisagismo, marmoraria, ar-condicionado, esquadrias, revestimento, áudio e vídeo e design.
O que dizem os envolvidos
O antigo dono da casa demolida, o advogado Rogério Luís de Resende, contou à Folha que o imóvel já havia sido alugado por dois anos a Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro, e depois abrigou uma empresa. Ao decidir vender, firmou contrato com um comprador que não pagou as seis parcelas finais, o que levou a uma cessão de direitos. Do outro lado dessa cessão, afirmou, estava a WT, que teria depositado de sua conta o valor restante. Resende disse ainda que a casa original era grande e tinha subsolo, e que o heliponto e a quadra de tênis estão dentro do terreno vendido.
A vizinhos, segundo a reportagem, Willer comentou que investiria R$ 25 milhões na obra e a revenderia depois por R$ 50 milhões. Procurada por WhatsApp na sexta-feira (23), a assessoria do advogado informou que ele não responderá aos questionamentos da Folha.
A reportagem não detalha, nos trechos disponíveis, a posição de Flávio Bolsonaro sobre o caso, e as investigações da PF seguem em andamento, sem conclusão divulgada. Também não está esclarecido qual será o destino final da mansão em construção.
Perguntas frequentes
Quanto custou o terreno onde a casa com heliponto é construída?
Segundo a escritura citada pela Folha, o imóvel custou R$ 12,5 milhões e foi comprado em março de 2024 pela WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer Tomaz.
Por que Willer Tomaz é investigado?
De acordo com a Folha, a PF apura suspeita de lavagem de dinheiro em duas frentes: desvio de dinheiro de aposentados do INSS e esquema de casas de apostas.
Fontes
FolhaComentários
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