Novo presidente escolherá ministro da Fazenda em cenário de desconfiança do mercado
Reportagem da Folha aponta que Lula e Flávio Bolsonaro fizeram promessas de custo fiscal na campanha, o que pesa na escolha do titular da Fazenda.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O presidente eleito neste domingo (25) terá de escolher o ministro da Fazenda em meio a desconfiança do mercado, segundo a Folha.
- Lula prorrogou subsídios aos combustíveis, perdoou dívidas de MEIs e acenou com Pix de R$ 5.000 a empreendedores a partir de 2027.
- Flávio Bolsonaro prometeu manter ganhos reais para aposentados, negou desvincular benefícios do salário mínimo e passou a apoiar a tarifa zero.
- A reportagem não cita nomes cotados para o ministério.
O presidente eleito neste domingo (25) terá de definir quem comandará o Ministério da Fazenda em um ambiente de desconfiança de economistas e do mercado financeiro. A avaliação é de reportagem da Folha publicada na noite de sábado (24). Segundo o jornal, o desafio é reverter a descrença provocada por promessas de campanha feitas tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
A Fazenda é o ministério responsável por conduzir a política econômica e acompanhar as contas do governo federal. Por isso, o nome escolhido para chefiá-lo costuma ser observado de perto pelos agentes do mercado, que o tomam como sinal do rumo da política fiscal.
Promessas que vão na contramão do ajuste
De acordo com a Folha, depois de um primeiro turno acirrado, os dois candidatos assumiram compromissos que podem atrair votos, mas que contrariam o ajuste nas contas públicas esperado por economistas e pelo mercado.
No caso de Lula, o jornal lista a prorrogação de subsídios aos combustíveis, o perdão de dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) e a sinalização de um Pix de R$ 5.000 para empreendedores a partir de 2027. O presidente também prometeu ampliar o programa Pé-de-Meia para universitários e criar a tarifa zero no transporte urbano aos fins de semana em todo o país. Segundo a reportagem, essas medidas aumentam despesas que ainda precisarão ser acomodadas no Orçamento.
Já Flávio Bolsonaro, em quem o mercado havia depositado expectativa de um controle mais rigoroso dos gastos, passou a ser cobrado com mais ênfase sobre possíveis cortes em políticas sociais. Conforme o texto, o senador prometeu manter ganhos reais, acima da inflação, para aposentados e negou que pretenda desvincular benefícios do salário mínimo. Ele também passou a apoiar medidas com custo fiscal, como a tarifa zero. Para a Folha, esses movimentos retiram do cardápio de opções propostas que poderiam gerar economia mais expressiva.
O que pesa na escolha do ministro
A reportagem afirma que a condução dos temas fiscais na campanha deve influenciar tanto a importância do nome do futuro ministro quanto o momento do anúncio. O placar final da disputa, segundo o jornal, ainda pode determinar o grau de aceno ao mercado para tentar garantir condições financeiras mais favoráveis ao longo do mandato.
Se Lula for reeleito, afirma a Folha, precisará indicar alguém capaz de recuperar rapidamente a credibilidade do governo, após uma reação que o jornal considera provável de ser bastante negativa, com alta dos juros e do dólar. A reportagem lembra que o presidente patrocinou iniciativas para desacelerar gastos, como a regra que limitou a valorização do salário mínimo ao mesmo percentual de correção do arcabouço fiscal, conjunto de regras que disciplina as despesas federais. Lembra também que ele usou um termo depreciativo para se referir ao superávit, a economia de recursos destinada ao pagamento de juros da dívida, e depois tentou corrigir a rota na campanha.
Se Flávio vencer, segundo o texto, terá de escolher o ministro mais rapidamente do que o previsto, já que as promessas recentes levantaram dúvidas sobre sua disposição de bancar o ajuste. A Folha menciona ainda o temor de que uma pauta que inclui a anistia a Jair Bolsonaro (PL) e o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) ganhe protagonismo e ofusque o debate econômico. Sem sinalização firme de controle de gastos, a percepção no mercado, de acordo com o jornal, é que a boa vontade diminuirá, com reflexos negativos no câmbio e nos juros.
A reportagem foi publicada antes da divulgação do resultado e não cita nomes cotados para o ministério. Quem será o titular da Fazenda e quando o anúncio será feito continuam sem definição.
Perguntas frequentes
Por que a escolha do ministro da Fazenda é considerada delicada?
Segundo a Folha, as promessas de campanha dos dois candidatos vão na contramão do ajuste fiscal esperado pelo mercado, o que aumenta a pressão por um nome que recupere a credibilidade.
Já há nome definido para o cargo?
Não. A reportagem foi publicada antes do resultado da eleição e não menciona nomes cotados.
Fontes
FolhaComentários
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