Maranhão aposta em quilombos para se firmar como polo de afroturismo no país
Rota Caminho dos Guarás reúne 15 cidades e comunidades tradicionais, como o quilombo Santo Antônio, em Serrano do Maranhão, que passou a receber turistas.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O Maranhão quer se firmar como referência em afroturismo, com abertura de comunidades quilombolas à visitação.
- O Caminho dos Guarás, lançado em 2025, tem pouco mais de 230 km e inclui 15 cidades maranhenses.
- O estado tem 2.025 quilombos, cerca de 24% do total do país, segundo o Censo do IBGE.
- Quilombos de Guimarães e Serrano do Maranhão já oferecem produtos, comidas típicas e atrações aos turistas.
O Maranhão tenta se consolidar como referência em afroturismo no Brasil, segmento que valoriza a história e a cultura de origem africana. A estratégia passa pela abertura de comunidades quilombolas à visitação, com roteiros que combinam natureza, gastronomia e tradições locais, segundo reportagem publicada pela Folha em 28 de outubro de 2026.
Um dos exemplos é a comunidade Santo Antônio, em Serrano do Maranhão. O município é considerado o mais preto do país pelo IBGE, já que 58,74% dos moradores se declaram pretos. O presidente da comunidade, Eremilton Ferreira, afirma que o objetivo da abertura ao turismo é fazer com que o povoado, antes pouco notado, passe a ser visto e lembrado.
Comunidade de mais de dois séculos
De acordo com a reportagem, Santo Antônio existe há mais de 200 anos. Os moradores vivem principalmente da pesca artesanal em água doce. A comunidade fica a pouco mais de 2 km da sede do município e reúne 183 famílias, em uma área de preservação natural com grande biodiversidade. Ferreira diz que o visitante poderá apreciar a paisagem e conhecer a história e a ancestralidade do grupo.
Rota reúne 15 cidades
Serrano do Maranhão é uma das 15 cidades maranhenses incluídas no "Caminho dos Guarás", rota lançada em 2025 para estimular o turismo ecológico e de base comunitária no estado. O percurso tem pouco mais de 230 km, entre terra e mar, e integra os polos turísticos já existentes de São Luís e da Floresta dos Guarás. Segundo a Folha, a rota concentra boa parte das comunidades tradicionais do estado, que mantêm saberes ligados às raízes africanas.
O Maranhão tem o maior número de quilombos do país, conforme o último Censo do IBGE: são 2.025, cerca de 24% do total nacional. A Bahia aparece na sequência, com 1.814.
Apoio e iniciativas locais
A gestora de turismo cultural do Sebrae no Maranhão, Flavia Nadler, afirma que a hospitalidade das comunidades pode gerar renda. Segundo ela, o órgão atua para fortalecer pequenos negócios, com consultoria para criar roteiros e produtos turísticos e aprimorar projetos que já funcionam.
No Quilombo Cumum, em Guimarães, moradores fizeram um curso sobre turismo e começaram a vender bolinhos de tapioca a quem passa pelo local. O líder comunitário Josenilson Carvalho avalia que a atividade já contribui para o desenvolvimento da comunidade e ajuda a espalhar a história do grupo.
Já no Quilombo Damásio, também em Guimarães, os moradores montaram uma quitanda na beira do rio Passadinha, com alimentos, bebidas e artesanato. A limpeza do rio é feita pelos próprios moradores. O banho é gratuito para os visitantes, que podem provar pratos típicos como arroz de cuxá, juçara, buriti e molho de bacuri, além de assistir a uma apresentação de tambor.
O trecho final da reportagem disponível não detalha outras atrações. As fontes também não informam valores de passeios, horários de visitação nem como reservar roteiros nas comunidades.
Perguntas frequentes
O que é o Caminho dos Guarás?
É uma rota turística lançada em 2025 que reúne 15 cidades maranhenses, com pouco mais de 230 km entre terra e mar, voltada ao turismo ecológico e de base comunitária.
Quantos quilombos há no Maranhão?
Segundo o último Censo do IBGE, são 2.025 quilombos, o maior número do país, o que equivale a cerca de 24% do total nacional.
Fontes
FolhaComentários
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