Reeleição de Lula: mercado prevê queda da Bolsa, dólar em alta e juros futuros subindo
Analistas esperam um pregão de forte volatilidade nesta segunda (26). Entenda o que está em jogo para o dólar, o crédito e os investimentos.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- A reeleição de Lula, confirmada no domingo (25), deve pressionar os mercados brasileiros nesta segunda (26), segundo InfoMoney e Exame.
- O EWZ recuava 26% no pré-mercado, e contratos da CME indicavam o dólar a R$ 5,55.
- Analistas citam risco de queda forte do Ibovespa, alta dos juros futuros e até possível acionamento do circuit breaker.
- A agenda do dia inclui o relatório da dívida pública, o Boletim Focus e o balanço da Gerdau.
A confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (25), deve levar os mercados brasileiros a uma segunda-feira (26) de forte pressão, segundo InfoMoney e Exame. A expectativa de analistas é de queda do Ibovespa, valorização do dólar frente ao real e alta dos juros futuros, em um ajuste das apostas feitas antes do resultado.
O que os indicadores mostravam antes da abertura
De acordo com o InfoMoney, o EWZ, principal ETF brasileiro negociado nos Estados Unidos, recuava 26% no pré-mercado. Um ETF é um fundo de índice negociado em bolsa, e o EWZ acompanha o MSCI Brazil. Em outra reportagem, o mesmo veículo havia registrado queda de quase 20% no after market, a negociação após o fechamento regular. A diferença se explica pelos momentos distintos de cada medição.
No câmbio, contratos de derivativos da bolsa CME indicavam o dólar a R$ 5,55. Esses preços não são uma cotação oficial, mas sugeriam desvalorização do real superior a 10% sobre o fechamento de sexta-feira (23). Naquele dia, segundo a Exame, o Ibovespa subiu 0,47%, aos 205.082,56 pontos, mas acumulou perda de 0,17% na semana.
Participantes do mercado ouvidos pela Exame não descartam intervenções do Banco Central e do Tesouro Nacional. Também citam a possibilidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações na bolsa após quedas acentuadas. Gabriel Uarian, da Cultura Capital, projeta queda superior a 5% do Ibovespa.
Por que o mercado reage assim
Segundo os analistas citados, o mercado vinha precificando a possibilidade de alternância de poder e, com ela, maior controle de gastos públicos. Gabriel Pinheiro, da GT Capital, lembra que o Ibovespa subiu 7,7% no primeiro pregão após o primeiro turno e chegou a 209,6 mil pontos, com o dólar a R$ 5,00. Antes do primeiro turno, o índice estava perto de 192 mil pontos, e a moeda americana, a R$ 5,22.
A principal preocupação, segundo Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, é o crescimento da dívida pública sem medidas vistas como suficientes para estabilizá-la. Ele também menciona que o presidente não tem maioria própria no Congresso. Felipe Balassiano, do ASA, afirma que a intensidade e a duração dos movimentos dependerão dos sinais do novo governo sobre responsabilidade fiscal.
O que pode mudar no bolso e nos investimentos
Juros futuros são taxas negociadas hoje para períodos adiante. Quando sobem, costumam indicar expectativa de juros mais altos, o que tende a encarecer crédito e financiamentos. Já um dólar mais alto pode pressionar o preço de produtos importados e de itens com insumos em moeda estrangeira.
Na Bolsa, as fontes apontam que varejistas, construtoras, bancos voltados ao crédito ao consumidor e empresas mais endividadas tendem a sofrer mais em cenário de juros elevados. Estatais como Banco do Brasil e Petrobras também ficam sob atenção. Exportadoras, como as de mineração e agronegócio, podem ter desempenho relativo melhor com o dólar valorizado. Trata-se de avaliações de analistas, não de indicação de compra ou venda.
Agenda do dia
O Tesouro divulga o relatório mensal da dívida pública federal, com dados de setembro. O Banco Central publica o Boletim Focus, que reúne projeções do mercado para os principais indicadores, e a nota do setor externo, com previsão de US$ 5,0 bilhões. No campo corporativo, a Gerdau apresenta resultados do terceiro trimestre, e o Itaú BBA espera desempenho estável da empresa no Brasil. Ainda não está claro quanto os preços recuarão ao longo do dia nem como o governo eleito tratará a política fiscal.
Perguntas frequentes
O que é o circuit breaker citado pelos analistas?
É um mecanismo que interrompe temporariamente as negociações na bolsa quando há quedas acentuadas. Participantes do mercado não descartam seu acionamento nesta segunda.
Por que o dólar e os juros futuros tendem a subir, segundo as fontes?
Analistas apontam que o mercado teme a continuidade do aumento da dívida pública sem medidas consideradas suficientes para estabilizá-la, o que leva à revisão das expectativas fiscais.
Fontes
InfoMoneyExameComentários
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