China vê reeleição de Lula como revés para Trump; análise aponta desafios no Congresso
Governo e veículos estatais chineses reagiram à vitória do petista. Um pesquisador ligado a Pequim avalia que a direita ampliou espaço nos estados e no Legislativo.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O porta-voz da chancelaria chinesa cumprimentou Lula pela reeleição na segunda-feira, e Xi Jinping completou o gesto na terça-feira (27).
- Veículos estatais chineses trataram o resultado como um revés para Washington.
- Um pesquisador chinês avalia que Lula precisará negociar com uma direita forte nos estados e no Congresso.
- A assessoria de Flávio Bolsonaro negou ter recebido recursos ou estrutura do exterior.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebida em Pequim com um gesto diplomático cauteloso e com leituras mais diretas na imprensa estatal chinesa, que a enxergou principalmente como um revés para Washington. As informações constam na newsletter "China, terra do meio", da Folha, assinada por Igor Patrick e publicada nesta quarta-feira (28).
Gestos de Pequim
Segundo a publicação, o porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, cumprimentou Lula na tarde de segunda-feira (26), no horário de Pequim, quando ainda era madrugada em Brasília. Naquele momento, Flávio Bolsonaro (PL) indicava que pediria a anulação do segundo turno. Guo disse que a China toma nota do resultado divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), formulação considerada comedida.
Na terça-feira (27), o presidente chinês, Xi Jinping, completou o gesto. Nessa data, o PL já havia reconhecido a derrota, e Lula completava 81 anos.
Imprensa estatal e análises
Sem a mesma contenção diplomática, os veículos estatais chineses trataram o desfecho como um golpe nos Estados Unidos. A agência Xinhua deu ao discurso de vitória de Lula um título que remete à ajuda do povo para superar a interferência estrangeira. No Diário do Povo, o diretor-executivo do Centro de Estudos Brasileiros da Academia Chinesa de Ciências Sociais escreveu que a virada da região à direita foi contida, ao menos por ora. O mesmo autor admitiu que os bolsonaristas conquistaram a maioria dos governos estaduais e formaram a maior bancada na Câmara e no Senado.
Uma avaliação menos entusiasmada foi publicada no portal do grupo Phoenix, de Hong Kong, por Li Chen, pesquisador da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sudoeste e pós-doutorando na Universidade Federal de Santa Catarina. Para ele, Lula inicia o quarto mandato sem maioria confortável e precisará distribuir ministérios e verbas para obter apoio, o que poderia aproximá-lo da direita.
Influência externa e relação com a China
Li cita reportagens sobre a Rockbridge Network, organização ligada ao vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que teria financiado a candidatura de Flávio Bolsonaro, que é senador. Na avaliação do pesquisador, essa influência externa continuará mesmo após a derrota de domingo. A assessoria de Flávio afirmou que a campanha não recebeu dinheiro nem estrutura do exterior, prática vedada pela legislação eleitoral. A newsletter não apresenta provas sobre o financiamento, e o tema aparece apenas como citação das reportagens mencionadas pelo analista.
O pesquisador também projeta que governadores de direita, cujas economias dependem do agronegócio exportador e de investimentos chineses, tendem a manter a relação com Pequim em bom nível, mesmo com um Congresso hostil ao governo. Segundo ele, caberia à China compreender essa divisão interna e abrir canais com os novos atores políticos.
A Folha destaca que, desde 2023, quase toda a aproximação entre os dois países passou pelo Palácio do Planalto, incluindo a elevação do nível da relação bilateral e as visitas de Estado de 2024 e 2025. Como Lula já declarou que este será seu último mandato, Pequim teria quatro anos para construir interlocução com uma direita em expansão nos estados e no Congresso, que hoje dialoga mais com Washington, conforme a newsletter.
As falas e projeções citadas são de autores chineses e de um pesquisador, não de autoridades brasileiras. Ainda não está claro como o novo governo conduzirá a relação com a China diante do quadro político descrito.
Perguntas frequentes
Como a China reagiu oficialmente à reeleição de Lula?
Segundo a Folha, o porta-voz Guo Jiakun disse na segunda-feira que a China toma nota do resultado do TSE, e Xi Jinping completou o gesto de felicitação na terça-feira (27).
A campanha de Flávio Bolsonaro recebeu dinheiro do exterior?
Um pesquisador cita reportagens segundo as quais a Rockbridge Network teria financiado a candidatura. A assessoria de Flávio afirmou que a campanha não recebeu verba ou estrutura estrangeira.
Fontes
FolhaComentários
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