Dino manda PF abrir inquérito sobre possível interferência estrangeira nas eleições
Ministro do STF atendeu a pedido do PT e citou financiamento oculto, anúncios pagos feitos no exterior e a atuação de plataformas digitais.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil
Resumo rápido
- Flávio Dino, do STF, mandou a PF abrir inquérito sobre possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
- A decisão atende a provocação do PT e cita financiamento oculto, anúncios pagos por perfis no exterior e atuação de plataformas digitais.
- Segundo a Agência Brasil, executivos teriam arrecadado nos EUA recursos para a campanha de Flávio Bolsonaro em nome da Rockbridge Network.
- As fontes não trazem manifestação dos citados, e não há prazo informado para o inquérito.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para apurar possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. De acordo com a Agência Brasil, o foco principal é o financiamento oculto de campanha política.
A decisão veio depois de uma provocação do PT em uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), tipo de ação por meio da qual se questionam no STF atos que violem princípios básicos da Constituição. A ação foi aberta pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), e nela Dino já havia decidido sobre soberania nacional e sobre a aplicação, no Brasil, de ordens judiciais e leis estrangeiras. Para o ministro, os novos relatos não devem tramitar nessa ADPF, e sim em procedimentos próprios de investigação, sob supervisão do Supremo. Já o Poder360 informa que o PT e o Missão, partido de Renan Santos, acionaram o STF sobre o tema.
O que está sob suspeita
Entre as informações mencionadas por Dino, está a de que os executivos Tallis Gomes e Pedro Sang teriam atuado em nome da Rockbridge Network para captar, nos Estados Unidos, recursos para a campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. O Poder360 descreve a Rockbridge como um grupo privado de direita, fundado em 2019 pelo vice-presidente americano J.D. Vance e pelo empresário Chris Buskirk, e relata que o ministro citou reportagens sobre repasses à campanha. A legislação brasileira proíbe financiamento estrangeiro, e Dino observou que a vedação tem paralelo no direito dos Estados Unidos.
Outra denúncia trata de conteúdos pagos, veiculados por perfis sediados no exterior, sobre a eleição presidencial brasileira. As publicações exibiam dados favoráveis à vitória de Flávio Bolsonaro na plataforma de apostas Polymarket, bloqueada no Brasil desde 2024. O candidato Renan Santos, do Missão, levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exemplos desses anúncios. Na representação, ele sustenta haver um padrão de postagens pagas, quase sempre em português e dirigidas ao público brasileiro.
Segundo o Poder360, o ministro também apontou indícios de que algoritmos de plataformas digitais favoreceram a campanha de Flávio Bolsonaro durante o período eleitoral. Dino citou ainda suspeitas sobre a atuação da Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, e um relatório divulgado em 22 de outubro pelo Comitê de Supervisão da empresa, que apontou falhas na garantia da integridade eleitoral. Mencionou, por fim, preocupações manifestadas por observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) que acompanharam as eleições.
Alerta prévio e alcance da apuração
De acordo com a Agência Brasil, Dino afirmou que as denúncias reforçam um alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Em relatório anterior às eleições, sobre desafios de inteligência para 2026, o órgão indicou que havia forte incentivo para que atores externos com interesses no país tentassem influenciar o processo eleitoral. O ministro disse reconhecer uma obrigação constitucional de proteger a democracia, a soberania popular e a liberdade do voto, que cabe a todos os Poderes, inclusive o Judiciário.
O Poder360 acrescenta que Dino quer que a PF investigue o vínculo entre recursos, serviços ou outras vantagens com valor econômico e a campanha eleitoral.
As fontes consultadas não trazem manifestações de Flávio Bolsonaro, do PL, da Rockbridge Network, dos executivos citados ou da Meta sobre o que consta na decisão. Também não há informação sobre prazos do inquérito. A abertura de uma investigação é a fase de apuração dos fatos e não equivale a uma conclusão sobre responsabilidades.
Perguntas frequentes
Por que o inquérito não tramita na ADPF do Ibram?
Segundo a Agência Brasil, Dino entendeu que as informações sobre possível interferência estrangeira nas eleições devem ser apuradas em procedimentos próprios de investigação, sob supervisão do STF, e não na ADPF.
O que Dino mandou a PF investigar?
A possível interferência estrangeira no processo eleitoral, sobretudo por financiamento oculto de campanha, além de anúncios pagos de perfis no exterior e a atuação de plataformas digitais, conforme as fontes.
Fontes
Agência BrasilPoder360MetrópolesUOLComentários
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