EUA vão emitir vistos para Flávio Bolsonaro e família, diz governo americano
Departamento de Estado afirmou que permitirá a entrada do senador e de familiares nos EUA. Emissão de vistos não equivale a asilo político, e a saída do país segue sem detalhes oficiais.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O Departamento de Estado dos EUA informou que emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles no país.
- Segundo o Metrópoles, a emissão de vistos não significa, por si só, que haja asilo político, que foi mencionado por um aliado de Trump.
- Reuters e The New York Times, com fontes anônimas, disseram que o senador deixou o Brasil; um jornal argentino citou saída por Puerto Iguazú.
- Moraes havia ordenado na segunda-feira (26/10) a entrega dos passaportes à PF e a proibição de deixar o país; a PF cancelou os documentos.
O governo dos Estados Unidos informou nesta terça-feira (27/10) que emitirá vistos para o senador Flávio Bolsonaro (PL) e para seus familiares, o que permitirá a entrada deles no país. A informação foi repassada por uma autoridade do Departamento de Estado americano e divulgada por diferentes veículos, em meio a relatos de que o parlamentar deixou o Brasil.
Segundo o g1, a declaração foi dada à repórter da TV Globo Raquel Krähenbühl. A Exame informou que o órgão confirmou o plano à agência Bloomberg. Já o Metrópoles afirma que a Casa Branca confirmou ao site a emissão dos documentos. Os veículos descrevem o mesmo conteúdo: os vistos serão concedidos ao senador e à família.
Vistos e asilo são coisas distintas
O Metrópoles ressalta que a emissão de vistos não significa, por si só, que Flávio tenha recebido asilo político. Trata-se de procedimentos diferentes, e a confirmação sobre os vistos não esclarece se houve decisão formal sobre eventual pedido de proteção internacional.
O tema do asilo surgiu depois que Simón Levy, advogado mexicano e ex-secretário de Turismo do México, descrito como aliado de Donald Trump, publicou nas redes sociais que o governo americano havia autorizado a concessão de asilo ao senador. Na mesma postagem, ele criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Agência Brasil relata que Levy também disse que Flávio havia chegado aos EUA, em articulação conduzida pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Levy não detalhou o procedimento, e o Portal Léo Dias registrou que ele falou em chegada "em segurança".
Relatos sobre a saída do país
A saída de Flávio do Brasil foi noticiada por fontes anônimas. Segundo o g1, a agência Reuters publicou no início da tarde, com base em duas fontes, que o senador havia deixado o país rumo aos EUA. Por volta das 17h, o jornal The New York Times divulgou a mesma informação, também com duas fontes anônimas. O Metrópoles, com base em pessoas próximas à família Bolsonaro, informou que ele embarcou em um voo para a Flórida.
Há versões diferentes sobre o trajeto. Conforme o g1, um jornal argentino afirmou mais cedo que o senador teria saído do Brasil pela fronteira com Puerto Iguazú, na Argentina. A Agência Brasil, em texto publicado antes da manifestação do governo americano, registrou que nenhuma autoridade oficial do Brasil ou dos EUA havia confirmado a saída.
Decisão do STF e reação no PL
O deslocamento ocorreu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (26/10), ele determinou que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal em até 24 horas e o proibiu de deixar o país. De acordo com o Metrópoles, o prazo não foi cumprido, e a PF cancelou os documentos nesta terça. O site afirma que o senador não era considerado foragido naquele momento, pois não havia mandado de prisão contra ele.
O Partido Liberal convocou uma reunião de emergência na sede da legenda, em Brasília. Segundo o Metrópoles, nem todos os integrantes do partido sabiam da decisão do senador. Participaram das articulações o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio. Pela manhã, Marinho havia dito à coluna de Igor Gadelha que o correligionário não tinha saído do país.
Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz, e nega irregularidades. O episódio aconteceu dois dias após o segundo turno da eleição presidencial, no qual ele foi derrotado por Lula por mais de 4,4 milhões de votos. Segundo o Metrópoles, o senador chegou a anunciar que pediria a anulação do pleito, embora o PL tenha reconhecido o resultado.
Ainda não há esclarecimento oficial sobre as circunstâncias da viagem, sobre a situação do senador diante da ordem do STF nem sobre a existência de um pedido formal de asilo. A Polícia Federal investiga o caso, segundo o g1, e as informações seguem em atualização.
Perguntas frequentes
Flávio Bolsonaro recebeu asilo político nos EUA?
Não há confirmação oficial. O governo americano confirmou apenas a emissão de vistos, e, segundo o Metrópoles, isso não esclarece se houve decisão sobre pedido de asilo. A menção ao asilo partiu de Simón Levy, que não detalhou o procedimento.
Por que a PF cancelou os passaportes do senador?
Segundo o Metrópoles, Alexandre de Moraes determinou na segunda-feira (26/10) que os passaportes fossem entregues em até 24 horas. Como o prazo não foi cumprido, a PF cancelou os documentos na terça-feira (27/10).
Fontes
Metrópolesg1Agência BrasilPortal Léo DiasExameComentários
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