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Mudanças climáticas ampliam áreas de dengue e preocupam por outras doenças no Brasil

Estudo da Fiocruz mostra que regiões com dengue epidêmica passaram de 110 para 292 em 18 anos. Especialistas também monitoram Oropouche, leptospirose, hantavirose e fungos.

Texto: Redação
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SabrinaRevisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil
Mudanças climáticas ampliam áreas de dengue e preocupam por outras doenças no Brasil
Foto: Original author: US Department of Agriculture; then denoised rescaled, enhanced / Wikimedia Commons (Public domain)

Resumo rápido

  • Estudo da Fiocruz mostra que microrregiões com dengue epidêmica passaram de 110 para 292 entre 2006 e 2024.
  • Anomalias térmicas foram o indicador climático que melhor explicou o aumento da dengue no longo prazo.
  • Calor faz o Aedes aegypti se alimentar mais, o que pode elevar a transmissão, segundo um infectologista.
  • A relação do Oropouche com o clima ainda está em investigação; fungos como a Candida auris também preocupam.

O clima mais quente e os eventos extremos estão mudando o mapa das doenças infecciosas no Brasil. É o que aponta uma reportagem do Olhar Digital, que reúne dados e opiniões de especialistas sobre o tema. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que, entre 2006 e 2024, o número de microrregiões com níveis epidêmicos de dengue subiu de 110 para 292.

O avanço da dengue

Segundo o levantamento, as 292 microrregiões com situação epidêmica equivalem a 54% do país. Entre os indicadores climáticos analisados, o que melhor explicou o aumento da incidência ao longo do tempo foi a maior frequência de anomalias térmicas, ou seja, períodos com temperaturas muito diferentes das habituais.

Os pesquisadores avaliam que a expansão da área de transmissão da dengue parece irreversível. Na leitura deles, depois que o vírus e o mosquito transmissor chegam a um local, é improvável que a transmissão volte a zero.

Em 2024, o Rio Grande do Sul teve quase 210 mil casos confirmados e 281 mortes pela doença. Na Bahia, que tem cerca de 3 milhões de habitantes a mais, foram aproximadamente 163 mil casos e 188 óbitos.

Por que o calor ajuda o mosquito

O infectologista Celso Granato, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, explica que o calor muda o comportamento do Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue. Com temperaturas altas, o inseto gasta mais energia para voar e precisa se alimentar com mais frequência. Ao picar mais vezes, tem mais chances de transmitir o vírus.

A febre do Oropouche, antes restrita principalmente à Amazônia, causou mais de 12 mil infecções em 23 estados e no Distrito Federal em 2024. A ligação dessa expansão com o clima ainda está sendo investigada. A reportagem diz que mudanças nos padrões de temperatura e de chuva, somadas à degradação ambiental, podem ter contribuído.

Outras doenças também entram no radar. Segundo Granato, a leptospirose passou a ser muito mais frequente depois das enchentes no Rio Grande do Sul. A hantavirose, por sua vez, pode causar uma síndrome cardiopulmonar grave: desde 2016, o Brasil confirmou 530 infecções e 212 mortes, o que representa letalidade de 40%.

O papel dos fungos

As mudanças ambientais também podem favorecer fungos que conseguem sobreviver em condições antes pouco propícias a infecções em humanos. A professora Sarah Gonçalves Tavares, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), cita o aumento da temperatura como um dos fatores dessa adaptação.

Um exemplo é a Candida auris, que tolera calor e permanece no ambiente por longos períodos. O primeiro registro no Brasil foi em 2020, na Bahia. Desde então, houve 24 ocorrências em 15 estados, todas em unidades de saúde. Entre 146 pacientes colonizados, 56 morreram. Quando a infecção atingiu a corrente sanguínea, a letalidade chegou a 82%, e o risco é maior para pessoas imunodeprimidas.

Os especialistas também citam o Trichophyton indotineae, ligado a infecções de pele resistentes a antifúngicos, e o Aspergillus, que gosta de ambientes quentes e úmidos e pode chegar a novas regiões se a temperatura e a umidade mudarem.

O que ainda é incerto

Nem todas as relações descritas estão comprovadas. No caso do Oropouche, a influência do clima segue em apuração, e a possível disseminação de alguns fungos é tratada como uma preocupação, não como fato consumado. Já os números sobre dengue vêm de um levantamento da Fiocruz que acompanhou quase duas décadas de dados.

Perguntas frequentes

As mudanças climáticas já foram comprovadas como causa da expansão do Oropouche?

Não. Segundo a reportagem, a relação ainda é investigada, e mudanças de temperatura e chuva, junto com a degradação ambiental, podem ter contribuído.

Quantas microrregiões tiveram dengue epidêmica em 2024, segundo a Fiocruz?

Foram 292, o equivalente a 54% do país, contra 110 em 2006.

Fontes

Olhar Digital

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Texto produzido com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima e revisado pela redação. Encontrou um erro? Fale com a gente.

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