Ibovespa cai 0,51% e dólar recua a R$ 5,35 um dia após tombo com reeleição
Depois de forte queda na segunda, mercado segue cauteloso com contas públicas. Entenda o que o movimento de dólar e juros pode significar para crédito e preços.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O Ibovespa fechou a terça-feira (27) em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos, após recuar 13,88% na segunda.
- O dólar caiu 0,97% e terminou a R$ 5,350, depois de disparar na véspera; as fontes divergem sobre o percentual exato da alta.
- O InfoMoney diz que dólar e juros futuros altos podem encarecer crédito e produtos importados se persistirem.
- Durigan disse que o governo prepara medidas para buscar o centro da meta fiscal; a escolha do comando da Fazenda segue em aberto.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou a terça-feira (27) em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos, segundo o Poder360. O dólar comercial recuou 0,97% e terminou o dia a R$ 5,350. O movimento ocorre um dia depois de uma forte oscilação provocada pela reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25).
O que aconteceu na segunda-feira
No primeiro pregão após a eleição, o Ibovespa caiu 13,88%, a maior queda diária desde 2020, de acordo com o Poder360. O InfoMoney informa que o índice fechou aos 176.608 pontos e que chegou a perder mais de 17% durante a manhã. Isso levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações quando há queda muito intensa. Foi a primeira vez desde março de 2020. Segundo o Poder360, as empresas listadas perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado, ou seja, a soma do preço de todas as suas ações.
O dólar subiu forte no mesmo dia, e as duas fontes divergem nos números. O Poder360 registra alta de 8,36%, a R$ 5,4066. O InfoMoney fala em avanço de 8,21%, a R$ 5,40, a maior valorização percentual diária da moeda desde janeiro de 1999.
Por que o mercado reagiu
Segundo o InfoMoney, investidores vinham se posicionando para a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), e a reeleição de Lula levou a uma revisão dessas apostas. A reação também ampliou a preocupação com o crescimento das despesas públicas e com a trajetória da dívida. O site aponta ainda que não há um plano detalhado de ajuste fiscal para o próximo mandato. Durante a campanha, Lula defendeu que o crescimento econômico amplie a arrecadação. A equipe da Fazenda indicou a intenção de rever despesas obrigatórias e benefícios tributários. Não foram apresentadas medidas definitivas nem cronograma para mudanças nas regras fiscais.
Nesta terça, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo prepara medidas para buscar o centro da meta fiscal, segundo o Poder360. A meta fiscal é o resultado das contas públicas que o governo se compromete a perseguir. Na noite de segunda, Lula havia se reunido com Durigan e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, no Palácio da Alvorada, conforme o InfoMoney. Ele também recebeu os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre.
O que pode mudar no bolso
O InfoMoney afirma que a alta do dólar e dos juros futuros pode encarecer o financiamento de empresas e consumidores se persistir nos próximos meses. Juros futuros são taxas negociadas hoje para períodos adiante e refletem a expectativa do mercado sobre o custo do dinheiro. O mesmo texto diz que a desvalorização do real tende a pressionar os preços de produtos importados e de insumos usados pela indústria. A duração desses efeitos, segundo a reportagem, depende do comportamento do mercado e dos sinais do governo.
Nesta terça, os juros futuros recuaram após a forte alta da véspera. Para Marcos Bassani, estrategista da Boa Brasil Capital, o movimento é momentâneo e não muda a perspectiva de juros elevados. Ele atribuiu parte da queda do dólar à realização de lucros, quando investidores vendem para garantir ganhos. Também citou as recompras de títulos públicos pelo Tesouro Nacional, que podem colocar mais dinheiro em circulação e aliviar a pressão sobre os juros. Na avaliação dele, o cenário de curto prazo segue incerto.
O que ainda está em aberto
O comando do Ministério da Fazenda é uma das decisões pendentes para o governo que começa em janeiro de 2027. O InfoMoney cita como cotados o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Segundo a Folha de S.Paulo, Lula sinalizou a aliados que gostaria de ter Fonteles no governo, com a Fazenda como principal possibilidade. Para Bassani, sinais de compromisso com o equilíbrio das contas, a definição dos ministros e as indicações ao STF poderiam ajudar a recuperar a confiança. Nos Estados Unidos, as Bolsas operaram em alta nesta terça.
Perguntas frequentes
Como a alta do dólar pode chegar ao consumidor?
Segundo o InfoMoney, a desvalorização do real tende a pressionar os preços de produtos importados e de insumos da indústria, e o efeito depende de quanto tempo o dólar permanecer alto.
O que é o circuit breaker acionado pela B3?
É um mecanismo que suspende temporariamente as negociações em momentos de forte queda. Segundo o InfoMoney, foi acionado na segunda-feira pela primeira vez desde março de 2020.
Fontes
Poder360InfoMoneyComentários
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