Flávio Bolsonaro chega a Miami e divulga carta que contesta o resultado da eleição
Senador do PL chegou aos EUA com a família após a derrota para Lula. Aliados e partidos que o apoiaram defenderam respeito às urnas, e a PF disse não haver registro de sua saída do país.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- Flávio Bolsonaro chegou a Miami na quarta-feira (28) com a mulher e as duas filhas e divulgou uma carta contestando a vitória de Lula, por 4,4 milhões de votos.
- A carta teve diferentes versões, com o senador se apresentando como verdadeiro presidente e, depois, como líder do Brasil.
- Marinho, Tarcísio e Tereza Cristina defenderam respeito ao resultado das urnas, e Trump disse que não vai se envolver.
- A PF declarou não haver registro oficial da saída do senador nos postos de controle migratório.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28), acompanhado da mulher e das duas filhas. Ao desembarcar, divulgou uma carta em que contesta o resultado da eleição presidencial, vencida por Lula (PT) no domingo (25) com 4,4 milhões de votos de vantagem. A Folha descreve a viagem como uma operação de fuga e despiste e classifica o documento como golpista.
As versões da carta
Na primeira versão, o senador se apresentava como o verdadeiro presidente eleito do Brasil e se dirigia ao povo brasileiro e à comunidade internacional. Pouco depois, publicou em sua rede social uma versão sem a palavra eleito, mas ainda com a expressão verdadeiro presidente. Em seguida, editou o texto de novo e passou a se chamar líder do Brasil.
Há divergência sobre o número de versões. A Folha afirma que a carta teve ao menos quatro, duas publicadas pelo próprio senador e duas por aliados próximos da família Bolsonaro. Uma delas trazia um brasão com o nome do país escrito com z, em inglês. O Poder360, que publicou as íntegras, fala em três versões compartilhadas.
Aliados se distanciam
Segundo a Folha, a divulgação foi associada à ala mais radical do bolsonarismo e seguida de manifestações de distanciamento de quem havia sustentado a candidatura. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, disse que nem ele nem o partido podem afirmar que houve fraude. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro, declarou que a eleição acabou e que é hora de a direita unir esforços. Partidos que apoiaram Flávio no segundo turno também reafirmaram respeito ao pleito e à democracia, de acordo com o jornal.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a jornalistas que não pretende se envolver na crise política brasileira. Afirmou que o governo americano autorizou a entrada de Flávio no país e que, a partir daí, a situação será acompanhada. Trump também classificou a eleição brasileira como muito estranha.
O que diz o texto e o que falta esclarecer
Na carta, Flávio afirma ter visto uma fraude eleitoral na noite de domingo. O texto atribui ao ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, uma atuação ilegítima e ilegal e sustenta que Lula teria somado mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. A Folha afirma que a tese não tem fundamento nem provas e que repete o que bolsonaristas dizem nas redes.
Segundo o jornal, o senador já havia dito no domingo que não reconhecia a vitória do adversário, porque a Justiça Eleitoral aceitou prorrogar em duas horas o horário de votação. A Folha lembra que o próprio PL pediu a medida em algumas localidades. O jornal compara a postura à adotada em 2022 por Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Outro ponto envolve a saída do senador do país. Em nota, a Polícia Federal declarou, conforme o Poder360, não haver registro oficial da saída de Flávio nos postos de controle migratório do Brasil. As fontes disponíveis não detalham como ele deixou o território nacional nem se haverá apuração a respeito. Também não está claro quanto tempo ele pretende ficar nos Estados Unidos.
Perguntas frequentes
Como a Polícia Federal se manifestou sobre a saída de Flávio Bolsonaro do país?
Em nota, segundo o Poder360, a PF declarou não haver registro oficial da saída do senador nos postos de controle migratório do Brasil.
O que Donald Trump disse sobre o caso?
Segundo a Folha, Trump afirmou que não pretende se envolver na crise política brasileira, disse que os EUA autorizaram a entrada de Flávio e classificou a eleição como muito estranha.
Fontes
UOLPoder360Comentários
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