Cientistas pedem que crise climática seja declarada emergência de saúde global
Cerca de 150 pesquisadores de mais de 30 países defendem o reconhecimento das mudanças climáticas como emergência de saúde pública global, com base em dados do Lancet Countdown.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- Quase 150 pesquisadores de mais de 30 países pedem que as mudanças climáticas sejam declaradas emergência de saúde pública global.
- Segundo o Lancet Countdown, o clima respondeu por 68% das mortes ligadas ao calor entre 2016 e 2023, ante 55% na década anterior.
- O relatório aponta mais de meio milhão de mortes por calor em 2023 e quase 3 milhões desde 2016.
- O calor eliminou 573 bilhões de horas potenciais de trabalho em 2025, com perdas maiores na África e no Sudeste Asiático.
Quase 150 pesquisadores de mais de 30 países pedem que as mudanças climáticas sejam declaradas uma emergência de saúde pública global. O apelo, divulgado em reportagem da DW publicada pela Folha em 28 de outubro de 2026, ocorre num momento em que as mortes ligadas a calor, seca e insegurança alimentar se aceleram em várias regiões do planeta.
O que dizem os dados do relatório
O pedido se apoia no relatório anual Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas, que acompanha os efeitos do aquecimento global sobre a saúde. Segundo o levantamento, o impacto sanitário e econômico do aquecimento cresceu de forma acentuada nos dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, em 2015. O pacto, firmado para conter as mudanças climáticas, chegou a ser descrito na época como o mais importante acordo de saúde pública do século.
Os números citados são expressivos. As mudanças climáticas responderam por mais de meio milhão de mortes relacionadas ao calor somente em 2023 e por quase 3 milhões desde 2016. A área atingida por secas extremas, que ameaçam o abastecimento de água e de alimentos e elevam o risco de doenças, cresceu mais de 700% mais rápido do que na década anterior.
O calor é apontado como o exemplo mais evidente. De acordo com o estudo, as mudanças climáticas explicaram 68% das mortes associadas ao calor entre 2016 e 2023, ante 55% na década anterior. O aumento anual dessas mortes mais do que dobrou no período.
Efeitos além das mortes e impacto econômico
Ollie Jay, do Centro de Pesquisa em Calor e Saúde da Universidade de Sydney, afirmou que as mortes representam apenas a parte visível do problema. Abaixo dela, segundo a reportagem, estão casos de insolação, perda de sono e agravamento de condições crônicas de saúde.
O relatório também aponta perdas econômicas. O calor teria provocado, no ano passado, perda estimada de 1,07 trilhão de dólares (cerca de R$ 5,7 trilhões) em renda potencial no mundo. Trabalhar sob calor extremo expõe as pessoas a exaustão térmica, doenças ou lesões e, por consequência, à perda de renda e de meios de subsistência.
Em 2025, o calor eliminou 573 bilhões de horas potenciais de trabalho, e os trabalhadores rurais foram os mais afetados. Economias vulneráveis da África e do Sudeste Asiático tiveram os maiores impactos, com perdas de até 5% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 0,5% nas economias mais desenvolvidas. Marina Romanello, diretora executiva do Lancet Countdown, vinculada à University College London, disse em coletiva de imprensa que o custo econômico atinge com mais força os setores e comunidades mais vulneráveis.
Alan Dangour, diretor de clima e saúde da Wellcome Trust, instituição de caridade que financiou o relatório, defendeu que a resposta às mudanças climáticas passe a colocar a saúde e o bem-estar das pessoas no centro. Para ele, o sucesso deve ser medido por vidas salvas e melhores resultados de saúde, e não apenas por metas de emissões ou graus Celsius.
O trecho disponível da reportagem foi interrompido ao tratar dos extremos relacionados à água, com dados de satélite desde 2003. Por isso, essas informações não puderam ser detalhadas. As fontes também não informam se algum órgão internacional de saúde já respondeu ao pedido. Orientações sobre cuidados individuais diante do calor devem ser buscadas com profissionais de saúde.
Perguntas frequentes
O que os pesquisadores pedem?
Quase 150 pesquisadores de mais de 30 países pedem que as mudanças climáticas sejam declaradas uma emergência de saúde pública global.
Quem financiou o relatório citado?
De acordo com a reportagem, o relatório Lancet Countdown foi financiado pela Wellcome Trust, instituição de caridade.
Fontes
FolhaComentários
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