Dono de jato diz que voo de Flávio Bolsonaro foi pago por intermediário nos EUA
Empresário argentino afirmou à AFP que recebeu US$ 150 mil de um broker e que não conhece quem contratou o serviço. Jornais americanos citam assessor de Trump.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- Luis Grande, dono da Baires Fly, disse à AFP que o voo de Flávio Bolsonaro foi pago por um intermediário a partir de uma conta nos EUA.
- Segundo o empresário, foram transferidos US$ 150 mil, e ele não sabe quem é o contratante final.
- NYT e WSJ publicaram que o jato teria sido contratado por Jason Miller, assessor de Trump; a Casa Branca não se pronunciou.
- Flávio saiu do país após ordem do STF que o proibia de viajar e cancelava seus passaportes.
O voo em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil foi contratado e pago por um intermediário do setor aeronáutico, por meio de uma conta bancária nos Estados Unidos. A informação foi dada à agência AFP pelo empresário argentino Luis Grande, dono da Baires Fly, empresa que opera o jato usado pelo parlamentar e por sua família na viagem até Miami. A declaração foi divulgada na quinta-feira (29).
O que diz o dono da aeronave
Segundo Grande, ele foi procurado por um broker, profissional que vende voos, que conhece há cerca de dez anos e que mora nos Estados Unidos. O empresário não revelou a identidade do intermediário. De acordo com o relato, esse operador transferiu US$ 150 mil, cerca de R$ 800 mil, de uma conta em banco americano. O dinheiro teria ido para uma instituição financeira argentina. O Poder360 acrescenta que, segundo o empresário, o próprio broker disse não conhecer o contratante final antes da operação. O jornal argentino Perfil já havia divulgado que o intermediário tem dupla nacionalidade, argentina e americana, e vive na Flórida.
Grande contou ainda que o voo foi pedido primeiro para segunda-feira (26) e depois adiado para a tarde de terça-feira (27). De acordo com autoridades argentinas, Flávio, a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal partiram à 0h22 de quarta-feira (28) do aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, depois de passarem pelo controle migratório por via terrestre. O Poder360 informa que houve breve parada no Equador antes da chegada a Miami, na manhã de quarta.
Versões sobre quem contratou o jato
O New York Times e o Wall Street Journal publicaram que o avião teria sido contratado por Jason Miller, assessor do presidente dos EUA, Donald Trump. O Poder360 cita o New York Times ao dizer que Miller providenciou a aeronave. A Casa Branca não se pronunciou. O mesmo jornal relatou que Trump autorizou a entrada temporária de Flávio e de seus familiares no país, pelo mecanismo conhecido como parole, e que uma autoridade americana afirmou que o senador poderá pedir residência permanente depois.
A Folha informa que a Baires Fly é citada em uma investigação argentina sobre lavagem de dinheiro ligada a contratos públicos de medicamentos e insumos médicos. A suspeita provocou, em 2025, um escândalo no governo do presidente Javier Milei.
Contexto da saída do país
Flávio é alvo de inquéritos por lavagem de dinheiro. Segundo o Poder360, a apuração envolve empresas de apostas e evasão de divisas, com participação do advogado Willer Tomaz. Por ordem do Supremo Tribunal Federal, ele foi proibido de deixar o país e teve os passaportes cancelados, conforme a Folha. Ele foi intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26). A Folha diz que, depois da intimação, ele afirmou que nunca pensou em sair do Brasil e que entregaria os documentos. Segundo a Folha, ele usou um passaporte italiano para cruzar a fronteira.
O senador foi derrotado na eleição presidencial de domingo (25) para Lula (PT) e não reconheceu o resultado. Já nos Estados Unidos, divulgou uma nota em que se descreveu como líder do Brasil, depois de recuar de uma versão anterior que o chamava de verdadeiro presidente eleito. Ele afirmou que não fugiu, mas fez uma saída política para evitar perseguição judicial. Sem apresentar provas, associou a vitória de Lula a um golpe de Estado.
Trump evitou dizer se reconhece a vitória de Lula. Na quinta-feira (29), repetiu, sem provas, acusações de fraude eleitoral. A Folha relata que Lula decidiu não se envolver no episódio, avaliando que uma intervenção não faria sentido e poderia gerar crise diplomática.
O que ainda não foi esclarecido
As fontes não informam quem é o contratante final do voo nem a identidade do intermediário. Também não está claro como Flávio foi de Brasília até a fronteira, no Paraná. Os relatos sobre o papel de Jason Miller vêm de jornais americanos e não foram confirmados pela Casa Branca.
Perguntas frequentes
Quem pagou pelo voo de Flávio Bolsonaro?
Segundo o dono da Baires Fly, o pagamento veio de um intermediário nos EUA, cuja identidade não foi revelada. Ele diz não conhecer o contratante final. NYT e WSJ citam Jason Miller, assessor de Trump, e a Casa Branca não se pronunciou.
Quanto custou o voo?
De acordo com Luis Grande, o intermediário transferiu US$ 150 mil, cerca de R$ 800 mil.
Fontes
FolhaPoder360g1Comentários
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