Kolmanskop, na Namíbia, nasceu da corrida por diamantes no deserto
Cidade ligada à colonização alemã surgiu após a descoberta de pedras em trilhos e chegou a ter cassino, boliche e ar-condicionado primitivo, segundo o UOL.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- Kolmanskop, na região de Karas, na Namíbia, surgiu após a descoberta de diamantes perto de trilhos de trem.
- Segundo o UOL, o trabalhador Zacharias Lewala notou as pedras e avisou o patrão alemão August Stauch.
- A cidade tinha escola, clínica, cassino, boliche e um sistema primitivo de ar-condicionado.
- Os trabalhadores não podiam sair da área proibida e passavam por raio X ao fim do contrato de dois anos.
Kolmanskop, na região de Karas, no sul da Namíbia, é descrita pelo UOL Viagem como uma cidade que já foi considerada a mais rica do mundo e da qual hoje restam basicamente areia e ruínas. A história do lugar começou poucos anos depois de um dos episódios mais sombrios da colonização alemã na África.
O pano de fundo colonial
Segundo a reportagem, o Império Alemão controlava desde 1892 o Sudoeste Africano Alemão, colônia que corresponde à atual Namíbia. Em 1908, os alemães concluíam o massacre dos hereros e dos namas, apontado como o primeiro genocídio do século 20. O texto fala em cerca de 75 mil mortes e afirma que o episódio teria servido de treino para o Holocausto.
A matéria diz que, em quatro anos, 80% dos hereros foram exterminados em marchas da morte e outras atrocidades. Só no campo de concentração da Ilha do Tubarão, também chamado de Ilha da Morte, cerca de 3 mil pessoas morreram. Pouco depois do fechamento do campo, a apenas 10 quilômetros dali, começou a história de Kolmanskop.
A descoberta e a corrida por diamantes
O personagem central é Zacharias Lewala, funcionário da companhia ferroviária local. Ao varrer a areia que cobria os dormentes, ele notou pedras incomuns. Como já havia trabalhado em uma mina de diamantes na Colônia do Cabo, na atual África do Sul, suspeitou do valor do achado e mostrou as pedras ao patrão, o alemão August Stauch.
Stauch orientou os demais trabalhadores a observar o chão e comprou os direitos de mineração da área. A reportagem registra que pouco se sabe sobre Lewala, que desapareceu depois do episódio. Um mês depois, a corrida pelos diamantes já era realidade e uma nova cidade surgiu.
Os trabalhadores procuravam as pedras rastejando, com panos cobrindo o rosto. Não era preciso cavar, pois, segundo o texto, eventos geológicos deixaram a mina logo abaixo da superfície. Eles cumpriam contratos de dois anos e não podiam deixar a Sperrgebiet, termo alemão para "área proibida", criada para restringir a exploração a cinco empresas. Ao fim do contrato, passavam por aparelho de raio X e, em caso de suspeita, recebiam um laxante para eliminar eventuais pedras escondidas.
Luxo no deserto
A cidade contava com clínica, escola, delegacia, restaurante, telefone, hidrantes e abastecimento de água. Os engenheiros alemães viviam com o que o dinheiro permitia no deserto descrito como o mais antigo do mundo, inclusive com um sistema rudimentar de ar-condicionado. Uma merceeira entregava pães, limonada, água e blocos de gelo todas as manhãs. O gelo ia para compartimentos refrigerados, e dutos sopravam o ar frio para os cômodos vizinhos.
O estoque da comerciante incluía champanhe, caviar e produtos típicos alemães, e ela às vezes recebia em diamantes. A reportagem acrescenta que o entretenimento era farto, com cassino, boliche, academia de ginástica e salões de champanhe. O trecho disponibilizado termina nesse ponto, e as fontes não detalham como e quando a cidade foi esvaziada.
Perguntas frequentes
Quem descobriu os diamantes que deram origem a Kolmanskop?
De acordo com o UOL, foi Zacharias Lewala, que trabalhava na companhia ferroviária e mostrou as pedras ao patrão, August Stauch.
Como os engenheiros mantinham alimentos e ambientes frescos na cidade?
Segundo a reportagem, uma merceeira distribuía blocos de gelo que iam para compartimentos refrigerados, e dutos sopravam o ar sobre eles até os cômodos vizinhos.
Fontes
UOLComentários
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