Intercâmbio depois dos 50 ganha espaço e atrai público que volta à sala de aula
Pesquisa da Belta de 2026 coloca o público 50+ na 7ª posição entre as faixas etárias que mais fazem intercâmbio. Malta e países europeus lideram a preferência.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- A educadora Rosangela Agnoletto, 63, fez o primeiro intercâmbio aos 50 e já soma sete programas.
- Pesquisa da Belta de 2026 aponta o público 50+ na 7ª posição entre as faixas etárias que mais fazem intercâmbio.
- Malta e países europeus como Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha lideram a preferência desse público.
- Há programas regulares e turmas específicas para 50+, com aulas e passeios culturais.
A educadora Rosangela Agnoletto, de 63 anos, é um exemplo de um movimento que ganha força no mercado de viagens: o intercâmbio para pessoas com mais de 50 anos. Avó de três netinhas, ela fez o primeiro programa aos 50 e, desde então, não parou. Somou sete intercâmbios, aprendeu três idiomas, fez cursos como o de barista e o de culinária, participou de uma busca por trufas na Itália e viajou por vários países.
O caminho, porém, foi longo. Segundo o relato, o sonho de estudar fora vinha da adolescência e esperou mais de 30 anos para sair do papel. Quando os filhos cresceram, Rosangela primeiro pagou o intercâmbio deles e só depois decidiu realizar o próprio projeto. Ela diz que ainda ouve críticas de quem não entende o valor da experiência, e afirma que o objetivo vai além do idioma: ela busca autonomia para viajar, contato com outras culturas e histórias de outras famílias.
O que dizem os números e o mercado
De acordo com a pesquisa de 2026 da Belta, a Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio, o público de 50 anos ou mais ocupa hoje a 7ª posição entre as faixas etárias que mais realizaram intercâmbio. Alexandre Argenta, presidente da entidade, descreve um crescimento constante e afirma que já existem agências que passaram a se especializar nesse público. Segundo ele, há 30 anos era raro alguém com mais de 50 anos fazer intercâmbio, em razão do estigma de que estudar fora seria programa só para jovens.
Argenta também cita a própria família: a mãe dele, hoje com 72 anos e avó de cinco netos, fez o primeiro intercâmbio aos 60 e já passou de seis programas. Mesmo aposentada, voltou a trabalhar para estimular outras pessoas a estudar no exterior.
A empresária Roberta Gutschow, diretora da agência Roda Mundo Intercâmbio, diz que a procura pelo intercâmbio 50+ disparou nos últimos cinco anos. Para ela, a viagem desse público tem particularidades, como a união entre aprendizado e turismo e um roteiro mais completo.
Destinos e formatos mais procurados
Segundo Argenta, os destinos preferidos pelos 50+ ficam na Europa, com destaque para Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha e, principalmente, Malta. O país também aparece no ranking geral da pesquisa, que considera intercambistas brasileiros de todas as idades. Nessa lista, os Estados Unidos estão em primeiro lugar, seguidos por Canadá, Reino Unido, Irlanda e Malta.
Em geral, quem tem mais de 50 anos procura aprender o idioma em programas que incluam atividades culturais, como aulas de arte e de gastronomia. Entre as opções citadas estão curso de italiano combinado com degustação de vinhos, aulas de culinária ou de artes e visitas a museus. Há ainda estudantes que escolhem escolas ligadas a campos de golfe, para jogar em diferentes lugares do mundo enquanto estudam.
Quem é afetado e o que fazer
Segundo Roberta Gutschow, quem tem 50 anos ou mais pode optar pelo programa regular, em que estuda ao lado de intercambistas de outras idades, ou por um programa específico, com turmas da mesma faixa etária e atividades fora da escola incluídas. De acordo com a reportagem, o pacote específico costuma reunir aulas pela manhã e passeios à tarde.
As fontes não informam valores, duração dos programas, exigências de idade ou documentação. Quem pretende viajar deve consultar agências especializadas para obter essas informações.
Perguntas frequentes
Quais destinos os brasileiros com mais de 50 anos mais procuram para intercâmbio?
Segundo o presidente da Belta, Alexandre Argenta, são países europeus como Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha e, principalmente, Malta.
Quem tem mais de 50 anos precisa estudar em turma separada?
Não. De acordo com Roberta Gutschow, é possível fazer o programa regular, com alunos de outras idades, ou escolher um programa específico para o público 50+.
Fontes
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