Gases de efeito estufa batem recorde em 2025, aponta relatório da OMM
Concentrações de CO₂, metano e óxido nitroso chegaram a máximas históricas, segundo a agência da ONU. A OMM prevê nova alta do CO₂ em 2026.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- A OMM informou que os gases de efeito estufa atingiram níveis recordes em 2025.
- O CO₂ chegou a 426,8 ppm, 153% do nível pré-industrial, com alta de 2,8 ppm sobre 2024.
- Metano e óxido nitroso também bateram máximas, em 267% e 126% dos níveis anteriores à industrialização.
- A OMM prevê nova alta do CO₂ em 2026 e levará os dados à COP31, na Turquia, em novembro.
As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera atingiram níveis sem precedentes em 2025, segundo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, divulgado nesta terça-feira (27). De acordo com o documento, o acúmulo desses gases aumenta a quantidade de calor retida no planeta e pode favorecer eventos climáticos mais extremos. A Folha grafa o nome da instituição como Organização Mundial de Meteorologia.
Os números do relatório
A concentração média global de dióxido de carbono (CO₂) chegou a 426,8 partes por milhão (ppm) em 2025, cerca de 153% do nível pré-industrial, tomado como referência o ano de 1750. O aumento em relação a 2024 foi de 2,8 ppm. A InfoMoney destaca que a alta anual superou a média da última década. O Olhar Digital acrescenta que o avanço foi menor que o do ano anterior e que, em 2004, quando a OMM passou a publicar o boletim, a concentração era de 377,5 ppm.
O metano alcançou 1.948 partes por bilhão (ppb), o equivalente a 267% do nível pré-industrial. Segundo o Olhar Digital, cerca de 65% das emissões desse gás vêm de atividades humanas, e ele responde por aproximadamente 16% do efeito de aquecimento dos gases de longa duração. O óxido nitroso chegou a 339,1 ppb, o que corresponde a 126% do nível anterior à industrialização. Ele é liberado por processos naturais e por atividades como o uso de fertilizantes, a queima de vegetação e certos processos industriais.
O relatório mede a quantidade de gás acumulada na atmosfera, e não as emissões novas de cada ano. A OMM também citou preocupação com o hexafluoreto de enxofre (SF₆), usado em equipamentos elétricos, cujo aumento em 2025 foi recorde. Seu potencial de aquecimento é mais de 24.000 vezes o do CO₂, e ele pode permanecer na atmosfera por mais de mil anos.
Por que o ritmo foi menor e o que vem pela frente
A OMM atribui o crescimento mais moderado do CO₂ entre 2024 e 2025 à recuperação da capacidade de absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres e à queda nas emissões provocadas por incêndios. Nos dois anos anteriores, o forte El Niño favoreceu condições mais secas. A cientista da organização Oksana Tarasova afirmou, porém, que a desaceleração não significa redução do carbono acumulado, pois a alta de 2,8 ppm ainda representa uma quantidade expressiva adicionada pela queima de combustíveis fósseis.
Segundo o Olhar Digital, cerca de metade do CO₂ emitido a cada ano permanece na atmosfera, e o restante é absorvido por oceanos e ecossistemas terrestres, como florestas. Essa capacidade varia conforme o clima. Dados da agência americana NOAA citados na reportagem indicam que o efeito de aquecimento dos gases de longa duração cresceu 56% entre 1990 e 2025, e o CO₂ respondeu por cerca de 81% dessa alta.
Para este ano, a OMM prevê nova elevação do CO₂, em razão da queima de combustíveis fósseis e do início de um forte El Niño. Esse fenômeno tende a trazer clima mais seco e a dificultar a absorção das emissões pelos sumidouros de carbono. A entidade informou que levará as conclusões aos negociadores da COP31, em Antália, na Turquia, em novembro.
A vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett, cargo que a InfoMoney chama de secretária-geral adjunta, afirmou que cada ppm adicional retém calor extra e que ondas de calor, ciclones tropicais e tempestades se intensificam mais rápido do que as referências históricas previam. A InfoMoney lembra que, neste ano, a Europa registrou verão com temperaturas muito altas e houve inundações na Ásia e em outras regiões. As fontes não detalham quais medidas serão discutidas na conferência.
Perguntas frequentes
Por que o aumento do CO₂ em 2025 foi menor que o do ano anterior?
Segundo a OMM, houve recuperação da absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres e queda nas emissões de incêndios, após o forte El Niño de 2023 e 2024.
O relatório mede as emissões anuais de gases?
Não. Segundo a InfoMoney, o documento mede a quantidade de gás acumulada na atmosfera, e não as novas emissões de cada ano.
Fontes
InfoMoneyOlhar DigitalMetrópolesUOLg1Comentários
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