Pílula anticoncepcional masculina em estudo nos EUA mira bloquear espermatozoides
Farmacologistas da Weill Cornell Medicine pesquisam um comprimido de efeito temporário. O medicamento ainda está em testes com animais e deve ser avaliado em humanos em menos de dois anos.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- Pesquisadores dos EUA estudam uma pílula anticoncepcional masculina, ainda em testes com animais.
- A previsão dos envolvidos é iniciar a avaliação em humanos em menos de dois anos.
- O comprimido deve agir por seis a oito horas e inibe a enzima sAC, ligada ao movimento dos espermatozoides.
- O estudo é liderado por farmacologistas da Weill Cornell Medicine, com bolsa de quatro anos do NICHD.
Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolvem uma pílula anticoncepcional masculina, segundo reportagem publicada pela Folha em 27 de outubro de 2026. O medicamento ainda está na fase de testes em animais. De acordo com os envolvidos no estudo, a expectativa é que ele passe a ser avaliado em seres humanos em menos de dois anos.
Como a pílula deve funcionar
Pela proposta descrita, o comprimido poderia ser tomado cerca de 30 minutos antes da relação sexual e teria efeito por seis a oito horas. O objetivo é bloquear de forma temporária a mobilidade dos espermatozoides no sistema reprodutor feminino, o que impediria a fecundação. Os pesquisadores querem que, depois do período de ação, a fertilidade volte ao normal.
O medicamento atua sobre a adenilil ciclase solúvel, conhecida pela sigla sAC, uma enzima com papel essencial na locomoção dos espermatozoides. Após a ejaculação, essas células precisam percorrer o trato reprodutivo feminino até encontrar o óvulo. Ao inibir a enzima por um tempo limitado, a pílula impediria que os espermatozoides mantivessem o movimento necessário para fazer esse trajeto.
Segundo a reportagem, a estratégia é diferente da de outros anticoncepcionais masculinos em desenvolvimento, que buscam reduzir a produção de espermatozoides ou bloquear a passagem deles.
Quem lidera o estudo e como é o financiamento
A pesquisa é conduzida por Jochen Buck e Lonny Levin, farmacologistas da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos. Eles receberam uma bolsa na ordem de milhões de dólares do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, o NICHD, na sigla em inglês. O financiamento terá duração de quatro anos e permitirá aprofundar as avaliações de segurança necessárias antes dos testes clínicos. Esta é a terceira bolsa que a dupla recebe para o projeto desde 2020.
Em 2024, os pesquisadores disseram que o avanço lento nesse campo tinha motivos em parte históricos e em parte culturais. Na ocasião, Buck e Levin apontaram uma relutância da indústria farmacêutica em abordar a contracepção masculina.
Outras alternativas citadas
A reportagem também ouviu Irineu Neto, urologista especialista em reprodução humana. Ele afirmou que a vasectomia é um dos métodos contraceptivos masculinos eficazes disponíveis hoje. Trata-se de um procedimento cirúrgico que, segundo o especialista, deve ser tratado como irreversível e que interrompe a passagem dos espermatozoides pelos canais que os levam dos testículos até a uretra. Ainda de acordo com ele, a cirurgia não altera diretamente a ereção, a libido nem a ejaculação, mas impede que os espermatozoides sejam liberados no sêmen.
A busca por opções não cirúrgicas inclui ainda métodos hormonais, como o gel experimental NES/T, que combina segesterona, um progestagênio, e testosterona. Aplicado diariamente sobre a pele, o gel busca suprimir os hormônios que estimulam a produção de espermatozoides e manter os níveis de testosterona necessários ao organismo. Neto ressaltou que o gel não é aprovado para uso e que ainda não tem segurança comprovada como método contraceptivo.
A pílula em estudo, por sua vez, não está disponível e ainda não foi testada em pessoas. Eficácia e segurança em humanos dependem dos testes clínicos futuros. Dúvidas sobre métodos contraceptivos devem ser tiradas com um profissional de saúde.
Perguntas frequentes
A pílula anticoncepcional masculina já pode ser usada?
Não. Segundo a Folha, o medicamento ainda está em fase de testes em animais e a avaliação em humanos deve começar em menos de dois anos, de acordo com os envolvidos no estudo.
Por quanto tempo a pílula teria efeito?
De acordo com a reportagem, o efeito duraria de seis a oito horas, e o comprimido seria tomado cerca de 30 minutos antes da relação sexual.
Fontes
FolhaComentários
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