Binance diz que hackers roubaram US$ 6,3 bi; veja o que isso significa para quem investe
Corretora afirma que cobrirá as perdas e prevê retomar saques em até 48 horas. Bitcoin e ações do setor caíram após o ataque atribuído à Coreia do Norte.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- A Binance afirma que hackers roubaram cerca de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas; a Exame chegou a citar US$ 5,5 bilhões.
- TRM Labs e Chainalysis atribuem o ataque a hackers da Coreia do Norte, que moveram os fundos em cerca de 20 minutos.
- A corretora diz que cobrirá as perdas e espera retomar os saques em até 48 horas.
- Bitcoin, ether, BNB e ações de Coinbase e Strategy caíram após o anúncio.
A Binance, apontada como a maior corretora de criptomoedas do mundo, informou na noite de quinta-feira (29) que hackers roubaram um valor estimado em US$ 6,3 bilhões. Segundo o g1, analistas consideram o episódio o maior ataque hacker da história do setor. Mais cedo, a empresa havia comunicado o congelamento de US$ 2,54 bilhões em ativos digitais por suspeita de invasão às suas hot wallets, que são carteiras digitais conectadas à internet e usadas no dia a dia das operações de uma corretora.
O que se sabe sobre o ataque
De acordo com a Binance, a investigação inicial indica que a violação pode ter começado com o laptop invadido de um engenheiro da empresa. Isso teria dado ao invasor acesso a um sistema e permitido saques não autorizados. A corretora disse não ter encontrado indícios de vazamento de chaves privadas das carteiras e prometeu divulgar uma análise técnica quando as apurações terminarem.
As empresas americanas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis afirmam que os responsáveis são hackers da Coreia do Norte. Segundo a TRM Labs, os atacantes miraram carteiras da Binance em 10 blockchains e transferiram a maior parte dos recursos em cerca de 20 minutos. A TRM também diz que o método lembra roubos anteriores associados ao país, como o ataque à corretora Bybit em 2025, que o FBI atribuiu a Pyongyang.
Há diferenças entre os números divulgados. A Exame, ainda na quinta-feira, trouxe estimativa de US$ 5,5 bilhões, enquanto Poder360 e g1 citam US$ 6,3 bilhões. O g1 informa que a Binance localizou e congelou cerca de US$ 3 bilhões até o momento e que a empresa não detalhou a situação dos outros US$ 3,3 bilhões. A Exame acrescenta que a plataforma de mercados preditivos Polymarket também foi hackeada no mesmo dia.
Reação do mercado e papel das stablecoins
Segundo a Reuters, citada pelo Poder360, os mercados reagiram nas negociações asiáticas desta sexta-feira (30). O bitcoin caiu mais de 3% e chegou a US$ 76.368, a mínima em seis semanas. O ether recuou mais de 3%, a US$ 2.178, o menor nível em dois meses. O BNB, token usado para pagar taxas na Binance, perdeu 5% em 24 horas e foi cotado a US$ 709,70, conforme o agregador CoinGecko. Nas bolsas americanas, as ações da Coinbase caíram 4,8%, e as da Strategy, compradora de bitcoin, recuaram quase 6% no pregão estendido.
Emissoras de stablecoins, criptomoedas pensadas para acompanhar o valor de uma moeda como o dólar, também agiram. A Tether congelou mais de US$ 1,567 bilhão em USDT, e a Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões em USDC, em coordenação com autoridades policiais. Na prática, esse tipo de bloqueio dificulta que os recursos sejam movimentados ou convertidos pelos invasores.
O que muda para o investidor
A Binance afirma que os fundos dos usuários seguem seguros e que cobrirá todas as perdas decorrentes do ataque, declaração também atribuída ao cofundador Yi He. A empresa suspendeu temporariamente depósitos e saques por precaução e revogou a autorização do endereço afetado. Segundo a corretora, os depósitos não foram afetados e os saques devem voltar em até 48 horas. Ela diz ainda manter um fundo de proteção para usuários, formado inteiramente por bitcoin.
Para quem mantém criptomoedas em corretoras, o caso mostra o risco de deixar ativos sob a guarda de terceiros: o saldo depende da segurança e da capacidade de ressarcimento da plataforma. O g1 observa que o ataque pode levar investidores a reavaliar os riscos de possuir ativos digitais. As fontes não informam se usuários brasileiros foram afetados nem se haverá reflexos regulatórios.
O fundador Changpeng Zhao, o CZ, que não comanda mais o dia a dia da plataforma, mas mantém participação acionária, comentou o caso no X. O incidente segue sob investigação com autoridades policiais, empresas de inteligência em blockchain e parceiros do setor, com o objetivo de rastrear e recuperar os recursos. Ainda não há detalhes sobre o destino dos valores não congelados nem um balanço final das perdas.
Perguntas frequentes
Os usuários da Binance vão perder dinheiro?
A Binance afirma que os fundos dos usuários seguem seguros e que cobrirá todas as perdas do ataque. As fontes não detalham como será o ressarcimento.
Quando os saques voltam a funcionar?
A empresa suspendeu saques e depósitos por precaução e diz esperar retomar os saques nas próximas 48 horas.
Fontes
Poder360g1UOLExameComentários
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