Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após não entregar passaportes; EUA darão vistos
Senador descumpriu ordem de Alexandre de Moraes dois dias após perder a eleição. Segundo Reuters e NYT, ele vai aos EUA, que concederão vistos à família.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil
Resumo rápido
- Flávio Bolsonaro não entregou os passaportes no prazo fixado por Alexandre de Moraes e deixou o Brasil dois dias após perder a eleição.
- Reuters e The New York Times afirmam que ele vai aos EUA; segundo o g1, a Casa Branca confirmou que dará vistos a ele e à família.
- A PF cancelou os passaportes, segundo Poder360 e fonte da BBC, e procura o senador.
- A Argentina disse não ter registro de entrada nem pedido de asilo do senador.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil depois de não cumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes. A saída ocorreu dois dias após a derrota dele na disputa presidencial, vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25/10). A Polícia Federal (PF) procura o parlamentar, segundo o g1.
De acordo com a agência Reuters e o jornal The New York Times, o destino do senador são os Estados Unidos. O Poder360 ressalta que não há confirmação oficial de autoridades sobre esse destino. O g1 informa que integrantes da Casa Branca confirmaram que o governo americano concederá vistos a Flávio e à família. O Poder360 atribui a informação à CNN Internacional e diz que a confirmou por conta própria.
A ordem do STF e o cancelamento dos passaportes
Moraes determinou, na noite de domingo, que Flávio entregasse os passaportes, conforme a BBC News Brasil. O senador foi intimado na segunda-feira (26/10), em Brasília, após ser abordado pela PF, e teve 24 horas para cumprir a ordem. O prazo terminou por volta das 12h de terça-feira (27/10). A decisão está sob sigilo.
Uma fonte ouvida em caráter reservado pela BBC disse que a PF informaria Moraes sobre o descumprimento e que todos os passaportes do senador, inclusive o oficial, foram cancelados. O Poder360 também afirma que a PF cancelou os documentos. A reportagem da BBC acrescenta que a PF checava os postos de imigração para saber se ele havia saído do país.
A ordem faz parte de um processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro. A apuração trata de um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e o setor de apostas no Rio de Janeiro. O g1 cita ainda a suspeita de evasão de divisas, e o Poder360 menciona também corrupção.
Versões e dúvidas sobre o trajeto
Em vídeo divulgado na segunda-feira, Flávio disse que foi abordado ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Ele afirmou que a decisão de Moraes se baseou em fala do irmão, Eduardo Bolsonaro, de 23 de outubro, segundo a qual ele deveria deixar o país em caso de derrota. No mesmo vídeo, disse que nunca pensou em sair do Brasil. A assessoria do senador não respondeu à BBC.
O governo argentino informou ao brasileiro que não há registro de entrada oficial de Flávio no país. Segundo a Direção Nacional de Migrações, autoridades vistoriaram no aeroporto de Puerto Iguazú uma aeronave privada da empresa Baires Fly e concluíram que nenhum plano de voo incluía a família Bolsonaro. O porta-voz Adrián Ravier disse que a Argentina não recebeu pedido de asilo.
Sobre o destino nos EUA, a CNN disse inicialmente que um funcionário americano falou em Flórida, mas depois ele afirmou não haver confirmação do local exato. A emissora também relatou que o governo de Donald Trump soube do prazo dado por Moraes na segunda-feira e informou ao senador que permitiria sua entrada.
Contexto e reações
Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e foi condenado pelo STF por coação no curso do processo. A condenação se refere à tentativa de pressionar a Justiça brasileira, com articulação de tarifas americanas, para evitar a condenação de Jair Bolsonaro no caso da tentativa de golpe de Estado. Segundo o Poder360, ele tem trânsito no Departamento de Estado americano.
O coordenador da campanha do PL, Rogério Marinho, disse ter se surpreendido com a notícia da saída do senador. A BBC, citando o Poder360, relata que o advogado Frederick Wassef, aliado de Jair Bolsonaro, esteve com Flávio na segunda-feira, em Brasília; o conteúdo da conversa não foi divulgado. Ainda não está claro o trajeto exato do senador nem como ele deixou o país.
Perguntas frequentes
Para onde foi Flávio Bolsonaro?
Reuters e The New York Times dizem que o destino são os EUA, mas o Poder360 afirma que não há confirmação oficial. A Argentina informou que não há registro de entrada dele no país.
Por que ele foi obrigado a entregar os passaportes?
A ordem de Moraes foi dada em processo que investiga Flávio e o advogado Willer Tomaz por lavagem de dinheiro, em suposto esquema ligado ao setor de apostas no Rio de Janeiro.
Fontes
g1Poder360BBC News BrasilComentários
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