Governo argentino diz ter 'tomado conhecimento' da reeleição de Lula, e Milei segue calado
Porta-voz da Casa Rosada falou pela primeira vez sobre o resultado no Brasil e disse que diferenças políticas não devem afetar o comércio entre os países.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, disse em 27/10 que o governo argentino tomou conhecimento do resultado da eleição no Brasil.
- Milei ainda não se manifestou publicamente sobre a reeleição de Lula.
- Ravier alegou que Lula não cumprimentou Milei em 2023, mas a BBC lembra que Lula publicou mensagem no X em 19 de novembro daquele ano.
- O porta-voz afirmou que as relações comerciais e diplomáticas seguem normais; o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina.
O governo da Argentina se manifestou oficialmente, pela primeira vez, sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial brasileira. A manifestação veio por meio do porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27/10). O presidente argentino, Javier Milei, continua sem comentar publicamente a vitória do petista.
Segundo a BBC News Brasil, Ravier limitou-se a dizer que o governo argentino registrou o resultado eleitoral do Brasil. Os jornalistas presentes insistiram no tema, e o porta-voz afirmou que, por ora, não há nenhum comunicado que o governo pretenda divulgar a respeito.
A justificativa para o silêncio
Pressionado a explicar por que Milei não havia se pronunciado, o porta-voz citou a eleição argentina de 2023. De acordo com Ravier, na ocasião Lula não teve nenhum gesto de cumprimento pessoal ao então eleito. Foi essa ausência, segundo ele, que justificaria a postura atual do governo argentino.
A BBC News Brasil, no entanto, aponta que Lula publicou uma mensagem na rede social X na noite de 19 de novembro de 2023. No texto, o presidente brasileiro parabenizou as instituições argentinas pela condução do processo eleitoral e o povo do país pela participação ordeira e pacífica. Também desejou boa sorte e êxito ao novo governo e disse que o Brasil estaria à disposição para trabalhar em conjunto com os argentinos. Há, portanto, divergência entre a versão do porta-voz e o registro publicado pela reportagem.
Relação política e laços comerciais
Milei busca se apresentar como líder da direita na América Latina. Em julho, ele participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e relacionou o senador a um processo de transformação política que, na visão do argentino, está em curso na região. Flávio Bolsonaro, segundo o contexto da reportagem, era o adversário de Lula na disputa.
Ravier disse ainda que, para Milei, as relações entre os dois países pesam mais do que as divergências ideológicas entre os presidentes. Ele afirmou que Argentina e Brasil são povos irmãos que comerciam e trabalham juntos no Mercosul, e que nada disso deveria ter sido afetado. Também declarou que a diplomacia e as relações comerciais prosseguem do lado argentino e que o governo não espera mudanças daqui em diante.
O peso econômico dessa relação foi lembrado pela reportagem. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e a Argentina é a terceira maior parceira comercial do Brasil. O Mercosul, bloco do qual os dois países fazem parte, é o espaço em que se dão boa parte das negociações comerciais entre eles.
O que ainda não está claro
As fontes não informam se Milei pretende se manifestar pessoalmente sobre o resultado nem se haverá algum contato oficial entre os dois governos nos próximos dias. O porta-voz repetiu, em diferentes momentos da coletiva, que o governo já tomou conhecimento do resultado e segue trabalhando normalmente no âmbito do Mercosul, sem indicar novos passos.
Perguntas frequentes
Milei já cumprimentou Lula pela reeleição?
Não. Segundo a BBC News Brasil, o presidente argentino segue em silêncio, e o porta-voz disse que não há comunicado previsto por enquanto.
As relações comerciais entre Brasil e Argentina serão afetadas?
De acordo com o porta-voz Adrián Ravier, não. Ele afirmou que o comércio e a diplomacia continuam normalmente dentro do Mercosul.
Fontes
BBC News BrasilComentários
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