Hackers atacam supermercados na Europa e elevam freezers a 50°C
Redes de lojas de ao menos quatro países relataram falhas na refrigeração nesta segunda (2). Episódio ocorre três semanas após ataque que atingiu mais de 500 lojas na França.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil
Resumo rápido
- Supermercados de ao menos quatro países europeus relataram nesta segunda (2) ataques a sistemas de refrigeração, com freezers chegando a 50°C.
- Na Bélgica, dezenas de lojas da Delhaize, cinco da Spar e quase 15 do Carrefour foram afetadas, segundo o Poder360.
- Em 12 de outubro, ataque semelhante atingiu mais de 500 supermercados na França, com perda de toneladas de alimentos.
- A investigação francesa aponta um software da Danfoss como possível porta de entrada, e nenhum grupo assumiu a autoria até o relato do Le Monde.
Redes de supermercados de diferentes países europeus foram alvo de ataques cibernéticos nesta segunda-feira (2), segundo informações da agência Reuters reproduzidas pelo Poder360. Os invasores tomaram o controle de sistemas de refrigeração conectados à internet e alteraram a temperatura de geladeiras e freezers, que chegaram a 50°C. Os episódios levantaram a suspeita de uma nova onda de ataques contra equipamentos ligados à rede.
Na Bélgica, dezenas de lojas da rede Ahold Delhaize foram afetadas. A empresa identificou aumento de temperatura nos equipamentos de refrigeração e disse que investiga as causas. O CEO da Sabcobel, Stephan Moelans, empresa responsável pelos sistemas da rede, afirmou à agência Belga que houve um ciberataque. De acordo com ele, os evaporadores foram acionados no modo de degelo, o que provocou a elevação da temperatura.
Também houve incidentes em cinco unidades da rede Spar, operadas pelo Grupo Colruyt, cujo porta-voz confirmou o ataque aos sistemas de refrigeração dessas lojas. Quase 15 supermercados do Carrefour foram atingidos, segundo o Poder360. Na Suécia, as redes ICA e Coop relataram problemas semelhantes, e uma rede da Estônia também foi afetada. A Sabcobel não comentou o caso.
Há pequena diferença na lista de países entre as fontes. O Tecnoblog cita Bélgica, Estônia, Luxemburgo e Suécia, e o g1 menciona lojas da Ahold Delhaize na Bélgica e em Luxemburgo. O texto do Poder360 não cita Luxemburgo, mas também fala em quatro países.
O precedente na França
Os casos ocorrem cerca de três semanas depois de um ataque que atingiu mais de 500 supermercados franceses. Segundo o jornal Le Monde, na madrugada de 12 de outubro hackers invadiram sistemas de refrigeração de lojas de várias redes, elevaram a temperatura de câmaras frias e congeladores e causaram a perda de toneladas de alimentos. Entre as redes afetadas estavam Intermarché, Netto, Coopérative U, Carrefour, E.Leclerc e Monoprix. O prejuízo total não havia sido calculado, mas poderia chegar a dezenas de milhões de euros.
Naquela ocasião, os invasores reprogramaram o degelo para chegar a 50°C e ampliaram a duração do processo de 1 para 8 horas, o que dificultou a detecção do problema pelos sistemas de alarme. Em uma unidade da Intermarché em La Haye, na Normandia, componentes dos equipamentos derreteram depois que a temperatura atingiu 80°C. O g1 também menciona perdas de alimentos e incêndios em várias lojas francesas.
A investigação francesa apontou como possível porta de entrada um software da empresa dinamarquesa Danfoss, usado no controle da refrigeração. A companhia afirma que a maioria dos equipamentos atingidos era obsoleta e não recebia mais atualizações de software nem de segurança. Ela havia publicado alertas sobre vulnerabilidades em seus programas em março e agosto de 2025.
O Ministério Público de Paris abriu inquérito, conduzido pelo órgão especializado em crimes cibernéticos, para identificar as vítimas e dimensionar os danos. Os serviços do primeiro-ministro francês acionaram a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação. Até a reportagem do Le Monde, nenhum grupo havia assumido a autoria. No mês passado, a Ahold Delhaize também comunicou à polícia holandesa um incidente de segurança, após detectar atividades suspeitas em sua infraestrutura.
O que muda na prática
As fontes não informam se houve perda de alimentos nas lojas atingidas nesta segunda-feira, se algum produto foi retirado de venda ou se há orientação aos consumidores. Também não está esclarecido quem está por trás dos ataques nem se há ligação direta com o caso francês. O que as reportagens destacam é que equipamentos como geladeiras, sistemas de aquecimento, câmeras e alarmes, quando conectados à internet, permitem monitoramento e controle remoto, e por isso dependem de atualizações de segurança.
Perguntas frequentes
Quem está por trás dos ataques?
As fontes não informam. No caso francês de outubro, nenhum grupo havia reivindicado a autoria até a reportagem do Le Monde.
Como os hackers elevaram a temperatura dos freezers?
Na Bélgica, segundo o CEO da Sabcobel, os evaporadores foram acionados no modo de degelo. Na França, os invasores reprogramaram o degelo para chegar a 50°C e durar 8 horas.
Fontes
Poder360Tecnoblogg1Comentários
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