Ilha de Coiba, ex-prisão no Panamá, volta a receber presos e gera controvérsia
Após fuga em massa, governo panamenho enviou 29 detentos a uma base na ilha, hoje Patrimônio Mundial da Unesco. A decisão preocupa cientistas e ambientalistas.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O Panamá enviou 29 presos a uma base aeronaval na Ilha de Coiba em junho, após uma fuga em massa em um grande presídio da capital.
- Coiba foi prisão por 85 anos, até 2004, e hoje é reserva natural e Patrimônio Mundial da Unesco.
- O presidente José Raúl Mulino disse que a medida atende à segurança nacional.
- A decisão gera controvérsia e preocupa cientistas e líderes ambientais.
O Panamá voltou a usar a Ilha de Coiba, no Pacífico, como local de detenção. Em junho deste ano, depois de uma fuga em massa de uma grande prisão da capital, o governo enviou 29 presos para uma base aeronaval situada no arquipélago. A informação consta em reportagem da BBC Mundo, reproduzida pelo g1, pela Folha e pela BBC News Brasil.
O arquipélago é formado por 38 ilhas e ilhotas e fica a cerca de 25 quilômetros a sudoeste da costa de Veraguas, no oeste do país. Hoje é descrito como um paraíso natural, isolado e pouco alterado, mas tem um passado marcado por violência.
Do presídio à reserva natural
Durante 85 anos, Coiba funcionou como prisão a céu aberto. Segundo a reportagem, ali foram registrados casos de tortura, trabalhos forçados e um massacre. Foram detidos criminosos considerados perigosos e, durante a ditadura panamenha (1968-1989), opositores políticos.
O presídio foi encerrado em 2004. Desde então, a ilha passou a ser dedicada a uma reserva natural, o que levou a Unesco a declará-la Patrimônio Mundial. De acordo com o texto, as décadas de uso como prisão ajudaram a manter ecossistemas e biodiversidade quase sem intervenção humana.
Coiba é o maior parque marinho da América Central. Somadas as áreas marinha e terrestre, o parque tem 270.125 hectares, e a reportagem o define como um grande laboratório natural a céu aberto.
A transferência e a controvérsia
O presidente José Raúl Mulino afirmou, na época, que a transferência atendeu a necessidades de segurança nacional. Segundo ele, a questão não é uma discussão sobre a reserva, mas sobre a segurança dos panamenhos. Mulino disse que o objetivo era atingir estruturas criminosas que atuam dentro do sistema prisional.
O governo não respondeu aos pedidos de informação da BBC Mundo para a reportagem. A medida, segundo o texto, gera controvérsia no país e preocupa cientistas e lideranças ambientais.
Um ex-preso que hoje protege a ilha
A equipe da BBC Mundo visitou a ilha em um fim de semana de maio, quando os planos do governo ainda não eram conhecidos. Viajou com pesquisadores e com um guarda-parque que já esteve preso no local: Narciso Bastidas, conhecido como "Mali Mali", hoje com 63 anos, natural de Guna Yala, região indígena no litoral caribenho do Panamá.
Segundo uma decisão judicial, ele foi condenado pelo assassinato do dono de um restaurante onde trabalhava, em 29 de novembro de 1986, quando tinha 23 anos. Bastidas afirma ser inocente e diz que foi preso como mandante e levado a Coiba dois anos depois. Ele cumpriu 10 anos de pena na ilha. Relata ainda que foi espancado e obrigado a assinar um documento. Hoje é assistente de pesquisa e guarda-parques do Sistema Nacional de Áreas Protegidas.
O que ainda não está claro
Os trechos disponíveis das fontes não detalham por quanto tempo os 29 presos permanecerão na base nem se haverá novas transferências. Também não apresentam medidas de proteção ambiental previstas pelo governo, nem posicionamentos detalhados de cientistas e ambientalistas sobre os riscos apontados.
Perguntas frequentes
Quantos presos foram levados para Coiba?
Segundo a reportagem, foram 29 presos, enviados em junho a uma base aeronaval na ilha após uma fuga em massa de uma grande prisão na capital.
Por que a medida é criticada?
Coiba é reserva natural e Patrimônio Mundial da Unesco. Segundo a reportagem, a transferência preocupa cientistas e líderes ambientais.
Fontes
g1FolhaBBC News BrasilComentários
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