Obesidade na rede básica do SUS cresce 259% em dez anos, aponta Sisvan
Dados do Ministério da Saúde mostram 11,12 milhões de adultos com obesidade acompanhados no Sisvan em 2026, contra 3,09 milhões em 2016.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O número de adultos com obesidade acompanhados pelo Sisvan subiu de 3,09 milhões em 2016 para 11,12 milhões neste ano, alta de 259%.
- Obesidade e sobrepeso somam 21,88 milhões de pessoas, ou 71,5% dos adultos assistidos na rede básica do SUS.
- Em 24 das 27 unidades federativas, há mais adultos com obesidade do que com peso adequado; o Rio Grande do Sul tem o maior índice, de 42,6%.
- O endocrinologista Bruno Halpern aponta falta de protocolo unificado, de medicamentos e de capacitação profissional no SUS.
O número de adultos com obesidade acompanhados pelo Sisvan (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), do Ministério da Saúde, passou de 3,09 milhões em 2016 para 11,12 milhões neste ano. Os dados foram publicados pela Folha em 1º de novembro. O aumento foi de 259% em dez anos, e as pessoas com obesidade já correspondem a 36% de todos os adultos monitorados pelo sistema, mais de um terço do total.
O Sisvan reúne informações sobre o estado nutricional da população atendida na Atenção Primária à Saúde, a chamada rede básica do SUS (Sistema Único de Saúde). Os números, portanto, descrevem o público que passa por esse atendimento. No mesmo período, o sobrepeso também avançou: foi de cerca de 4,19 milhões para 10,76 milhões de pessoas, uma alta de 156,8%. Somadas, as duas condições atingem 21,88 milhões de indivíduos, o que significa que 71,5% dos adultos assistidos estão acima do peso considerado adequado.
O excesso de peso engloba dois níveis. Tem sobrepeso quem apresenta IMC (índice de massa corporal) entre 25 e 29,9. A obesidade corresponde a um índice igual ou superior a 30. O IMC é calculado dividindo-se o peso pelo quadrado da altura. A obesidade é classificada como doença crônica, inflamatória e multifatorial, ou seja, não tem uma única causa.
Em 24 das 27 unidades federativas, o total de adultos com obesidade atendidos na atenção básica já supera o de pessoas com peso considerado adequado. Em 18 estados, ao menos 70% dos assistidos têm excesso de peso. O Rio Grande do Sul lidera os índices: 42,6% dos acompanhados têm obesidade e 75,9% estão com excesso de peso. São Paulo tem 40,5% de pessoas com obesidade em atendimento (1,74 milhão), e o Rio de Janeiro, 40,1% (759,2 mil).
Gargalos na assistência apontados por especialista
O endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial da Obesidade e vice-presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), avalia que os problemas na assistência à obesidade no SUS vão da escassez de medicamentos à falta de capacitação dos profissionais. Segundo ele, a rede pública não tem um protocolo de tratamento clínico unificado e abrangente para os casos mais graves de excesso de peso.
Halpern afirma ainda que a cirurgia bariátrica é indicada apenas para obesidade grave, o que deixa a maior parte das pessoas afetadas sem esse tipo de amparo. De acordo com o médico, o acesso ao procedimento é desigual e há filas de espera cujo tamanho e duração variam conforme a região do país. Mesmo quem consegue operar, diz ele, recebe suporte insuficiente depois da cirurgia, já que faltaria fornecimento regular de suplementos polivitamínicos essenciais.
Para o especialista, não existem linhas de cuidado bem estruturadas. Ele reconhece a existência de algumas experiências de excelência em mudança de estilo de vida no SUS, mas diz que não há nada em escala estrutural. Também afirma que os profissionais de saúde recebem pouca formação específica sobre obesidade.
A reportagem lembra que a obesidade é associada a mais de 240 doenças, entre elas diferentes tipos de câncer e problemas cardiológicos, além de redução da expectativa de vida. O tema da capacidade dos sistemas de saúde de oferecer prevenção, acompanhamento e tratamento esteve entre os assuntos do XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade, realizado de 28 a 31 de outubro, em Salvador.
Quem é afetado e o que fazer
Os dados dizem respeito a adultos acompanhados na atenção básica do SUS, e a cobertura disponível não detalha novas regras, protocolos ou prazos para o atendimento da obesidade. Também não consta se o Ministério da Saúde pretende alterar a oferta de tratamento. Esses pontos ainda não foram esclarecidos nas informações divulgadas.
A avaliação do estado nutricional e qualquer conduta de cuidado devem ser definidas individualmente por um profissional de saúde, em uma unidade de atendimento. O IMC citado na reportagem é um indicador de referência e não substitui a avaliação clínica.
Perguntas frequentes
O que o Sisvan mostra sobre a obesidade no país?
O sistema, do Ministério da Saúde, reúne dados nutricionais de quem é atendido na atenção básica do SUS. Nele, 11,12 milhões de adultos com obesidade foram monitorados neste ano, 36% do total de adultos acompanhados.
Como o IMC classifica sobrepeso e obesidade?
Segundo a reportagem, sobrepeso corresponde a IMC de 25 a 29,9, e obesidade a IMC igual ou superior a 30. O cálculo divide o peso pelo quadrado da altura. A avaliação individual deve ser feita por um profissional de saúde.
Fontes
FolhaComentários
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