Kremlin diz esperar que vitória democrata nos EUA não afete negociações sobre Ucrânia
Após as eleições de meio de mandato nos EUA, o governo russo afirmou contar com a continuidade da mediação de Donald Trump na guerra. Conversas devem recomeçar em Abu Dhabi.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O Kremlin disse esperar que a vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos EUA não afete as negociações sobre a Ucrânia.
- Dmitri Peskov afirmou que a Rússia conta com a continuidade dos esforços de paz de Donald Trump.
- Conversas entre russos e ucranianos devem recomeçar em Abu Dhabi na próxima semana, com mediação americana.
- O novo Congresso assume em janeiro e poderá questionar o acordo de compra de diesel russo pelos EUA.
O resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, encerradas na terça-feira (3), colocou o governo da Rússia em alerta. De acordo com a Folha, a vitória da oposição democrata levou o Kremlin a declarar que espera que o desfecho das urnas não interfira nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, mediadas pelo presidente americano, Donald Trump.
Nesta quarta-feira (4), o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov, disse que Moscou conta, com sinceridade, que Trump continue empenhado em seus esforços de paz. A informação consta em reportagem do jornalista Igor Gielow, publicada pelo jornal.
O contexto das negociações
Segundo a Folha, nos últimos meses Trump voltou a se aproximar da visão de Putin sobre o conflito, que inclui perdas territoriais e neutralidade para a Ucrânia. O jornal relata que o presidente americano voltou a questionar a legitimidade de Volodimir Zelenski e que os EUA reduziram a cobertura de satélite militar e os alertas antecipados fornecidos aos ucranianos.
O jornal afirma que essas movimentações tinham as eleições legislativas no horizonte. Com o preço dos combustíveis em alta por causa da guerra dos EUA no Irã, Trump teria buscado pressionar Kiev a não atacar o sistema energético russo, já que havia fechado um acordo de compra de diesel com Putin. O arranjo foi muito criticado em Kiev e na Europa e pode ser questionado pelo novo Congresso, que assume em janeiro. Zelenski manteve os ataques, e a venda do combustível aos EUA continuou, sem afetar de forma significativa os preços ou as intenções de voto, conforme a reportagem.
A Folha lembra ainda que, desde que voltou ao poder, no ano passado, Trump reverteu a oposição absoluta ao Kremlin que marcava a Casa Branca sob Joe Biden. Segundo o jornal, o esforço não trouxe resultados práticos, porque os russos mantiveram sua posição. Após a cúpula com Putin no Alasca, em agosto de 2025, que não produziu solução, Trump passou a criticar o líder russo. Com a guerra no Irã, os EUA se retiraram da mediação até que a questão do diesel ganhasse peso eleitoral.
O que vem a seguir
As conversas entre russos e ucranianos devem ser retomadas, sob tutela americana, em Abu Dhabi na próxima semana. De acordo com a Folha, não é possível prever como elas evoluirão com um Trump mais pressionado internamente a não ceder a Putin, e uma escalada de violência por parte de Moscou não pode ser descartada.
O jornal também descreve uma posição delicada para Zelenski, que não poderia celebrar abertamente a vitória democrata. Segundo a reportagem, ele corre o risco de ficar em segundo plano nas negociações e em uma eventual cúpula entre Trump, Putin e Xi Jinping, que pode ocorrer na China ainda neste mês. Até agora, o gesto público do ucraniano foi dar uma honraria de Estado a Melania Trump, por seu papel em esforços de paz. A reportagem acrescenta que, na semana passada, uma trégua atribuída pela Casa Branca a um pedido da primeira-dama permitiu a evacuação de civis.
As fontes não detalham quais mudanças concretas o novo Congresso poderia promover na política americana para a Ucrânia, nem se a cúpula na China está confirmada.
Perguntas frequentes
Quando as negociações entre Rússia e Ucrânia serão retomadas?
Segundo a Folha, as conversas devem recomeçar em Abu Dhabi na próxima semana, sob mediação dos Estados Unidos.
O que o Kremlin disse sobre as eleições americanas?
O porta-voz Dmitri Peskov afirmou, nesta quarta (4), que o governo russo conta com Trump mantendo seus esforços de paz após a vitória democrata.
Fontes
FolhaComentários
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