Netanyahu aparece à frente na eleição de Israel, mas sem maioria no Parlamento
Com a maior parte dos votos apurados, o bloco do premiê tem leve vantagem sobre o de Gadi Eisenkot, mas nenhum dos dois chega às 61 cadeiras. Negociações devem se estender.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- O bloco de Netanyahu aparece ligeiramente à frente do de Gadi Eisenkot com a maior parte dos votos apurados.
- Nenhum dos blocos deve chegar às 61 cadeiras necessárias entre os 120 assentos do Knesset.
- Partidos da minoria árabe conquistaram número recorde de cadeiras e podem ser decisivos.
- As negociações para formar o governo podem levar semanas ou meses, e Netanyahu segue no cargo.
Com a maior parte dos votos já contados na eleição de Israel, o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aparece com ligeira vantagem sobre o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, segundo a BBC News Brasil. Nenhum dos dois, porém, caminha para alcançar as 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Knesset, o Parlamento israelense, que tem 120 assentos.
Sem maioria, os blocos precisarão negociar com outros partidos para tentar montar um governo. De acordo com a BBC, esse período de conversas pode durar semanas ou meses. Enquanto isso, Netanyahu continua no cargo de primeiro-ministro.
Como o governo é formado em Israel
Israel adota o sistema parlamentarista, diferente do presidencialismo brasileiro. Os eleitores não escolhem diretamente o chefe de governo: votam em partidos, e cada legenda recebe um número de cadeiras proporcional à votação obtida em todo o país. Só entram no Knesset os partidos que alcançam pelo menos 3,25% dos votos.
O primeiro-ministro é quem consegue reunir o apoio da maioria dos deputados, ou seja, ao menos 61 dos 120. Como nenhum partido conquistou essa maioria sozinho ao longo da história do país, todos os governos israelenses foram formados por coalizões entre duas ou mais legendas. Esse arranjo dá aos partidos menores grande poder de negociação.
O país também tem um presidente, mas o cargo é sobretudo cerimonial. Uma de suas principais atribuições é indicar, depois da eleição, quem terá a chance de tentar formar o governo.
Contexto da votação e pontos em aberto
Partidos liderados pela minoria árabe do país conquistaram um número recorde de cadeiras, segundo a reportagem, e podem ter peso decisivo na definição do próximo governo. A maioria dos partidos judeus, incluindo o de Eisenkot, havia descartado durante a campanha governar com essas legendas.
Esta é a primeira eleição em Israel desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que mataram cerca de 1,2 mil pessoas e levaram 251 reféns para Gaza. É também a primeira desde as guerras que se seguiram em Gaza, no Líbano e no Irã. A ofensiva militar israelense em Gaza matou mais de 74,5 mil pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas, cujos números a ONU considera confiáveis.
A votação foi amplamente vista como um referendo sobre o governo de Netanyahu. Entre os temas centrais da campanha estiveram a responsabilização pelas falhas de segurança que permitiram os ataques de 7 de outubro, a condução das guerras e o serviço militar dos ultraortodoxos, historicamente isentos. Também pesaram a reforma do Judiciário proposta pelo governo e o custo de vida.
Para Eugene Rogan, diretor do Centro de Oriente Médio da Universidade de Oxford, o resultado reflete a polarização da sociedade israelense. Ele descreve, de um lado, eleitores que desejam mudança e estão cansados do custo de guerras sem fim e, de outro, os que enxergam em Netanyahu a única garantia de segurança diante do que consideram ameaças existenciais.
O desfecho também é acompanhado pelo Brasil, que atravessa um dos piores momentos da relação com Israel, conforme a BBC. Em fevereiro de 2024, Israel passou a considerar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva persona non grata até que ele se desculpasse por comparar as ações do Exército israelense na Faixa de Gaza ao Holocausto.
Ainda não está definido qual bloco conseguirá reunir os apoios necessários no Knesset, nem quem será indicado pelo presidente para tentar formar o governo. A composição final das cadeiras dependerá do fim da apuração.
Perguntas frequentes
Quantas cadeiras são necessárias para formar governo em Israel?
São necessárias 61 das 120 cadeiras do Knesset. Como nenhum partido atinge esse número sozinho, os governos são formados por coalizões.
Netanyahu continua como primeiro-ministro?
Sim. Segundo a BBC News Brasil, ele permanece no cargo enquanto durarem as negociações para formar o próximo governo.
Fontes
BBC News BrasilComentários
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