Binance sofre roubo de US$ 6,3 bilhões, o maior já registrado em criptomoedas
Hackers desviaram o valor de carteiras da corretora. Empresas de análise citam grupo norte-coreano, mas a Binance diz que ainda não identificou os responsáveis.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- Hackers desviaram cerca de US$ 6,3 bilhões (R$ 33 bilhões) em criptomoedas da Binance, no maior roubo já registrado no setor.
- Segundo a Folha, o ataque parece ter começado pelo laptop de um engenheiro da empresa, usado para enviar saques não autorizados.
- TRM Labs e Chainalysis ligam o caso à Coreia do Norte, mas a Binance diz que ainda não identificou os responsáveis.
- A Binance afirmou que vai ressarcir as vítimas, sem informar prazo; Circle e Tether congelaram US$ 2,8 bilhões.
A Binance, considerada a maior corretora de criptomoedas do mundo, foi alvo de um ataque hacker que desviou cerca de US$ 6,3 bilhões, o equivalente a R$ 33 bilhões, segundo a Folha. O caso é tratado pelas fontes como o maior roubo já registrado no setor de criptoativos e levanta dúvidas sobre como os sistemas da empresa foram violados.
Como o ataque aconteceu
De acordo com a Folha, o ataque parece ter começado pelo laptop de um engenheiro de desenvolvimento e operações da Binance. A empresa afirmou que o aparelho foi comprometido e usado para enviar ordens de saque não autorizadas. Segundo a reportagem, os invasores não precisaram obter as chaves privadas das carteiras dos usuários, como costuma ocorrer em outros ataques. Eles se aproveitaram de um computador que já tinha acesso aos sistemas que aprovam transações.
Tom Robinson, cofundador da empresa de análise Elliptic, explicou ao Financial Times que o computador de um engenheiro desse tipo costuma guardar as credenciais para acessar esses sistemas. Quem controla a máquina, portanto, pode usar o mesmo acesso. A Binance disse ter encontrado outros pontos de invasão além do laptop e segue investigando.
A Elliptic informou que o roubo começou às 17h05 (horário de Brasília) de quinta-feira e durou cerca de meia hora, com uma segunda onda de saques depois das 20h. Carteiras em várias blockchains foram atingidas, entre elas Solana, Ethereum, Base e Tron. Foram levados ativos de quase 200 criptomoedas diferentes. Quatro tokens somaram 74% do total: bitcoin, as stablecoins USDC e USDT na rede Tron, e USDT na rede Ethereum.
Quem está por trás e o que foi recuperado
A autoria ainda não está confirmada. Segundo o Olhar Digital, as empresas norte-americanas TRM Labs e Chainalysis apontam hackers ligados à Coreia do Norte. A Folha informa que a TRM Labs associou o ataque a uma unidade norte-coreana chamada TraderTraitor. A Chainalysis, segundo a Folha, estima que hackers do país roubaram cerca de US$ 2 bilhões no ano passado, mais da metade do total mundial. A Binance, porém, afirma que sua investigação não identificou os responsáveis, e o co-CEO Richard Teng disse que a autoria ainda é desconhecida.
Segundo a Elliptic, Circle e Tether congelaram US$ 2,8 bilhões em USDC e USDT. Os hackers, no entanto, converteram cerca de US$ 3,3 bilhões em ativos que não podem ser congelados, como o ETH, e ainda tentavam movimentá-los e convertê-los.
O que muda na prática
A Binance disse que pretende ressarcir as vítimas, mas não informou prazo. Também não foram detalhados quais clientes foram afetados nem o valor de cada prejuízo.
Sobre seguros, UOL e g1 explicam que a proteção varia conforme a forma de armazenamento dos ativos, o método da invasão e os termos da apólice, com limites, franquias e exclusões. Perdas podem ser cobertas por seguro, capital próprio e fundos de emergência. A Binance mantém o fundo SAFU, criado em julho de 2018, que tinha cerca de US$ 1 bilhão em bitcoin em 2026, segundo o site da empresa. A corretora não respondeu de imediato à Reuters sobre sua cobertura de seguro.
O Olhar Digital ouviu Jean Michel Guillot, da DINAMO Cyber Security Company, sobre como os invasores entraram e quais lições o caso deixa para empresas brasileiras que custodiam criptoativos de clientes.
Perguntas frequentes
A Binance vai devolver o dinheiro aos clientes?
A empresa afirmou que deve ressarcir as vítimas, segundo a Folha, mas não indicou prazo nem detalhou como isso será feito.
Quem foi o responsável pelo ataque?
Ainda não há confirmação. TRM Labs e Chainalysis apontam hackers ligados à Coreia do Norte, mas a Binance diz que sua investigação não identificou os autores.
Fontes
Olhar DigitalUOLg1BBC News BrasilComentários
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