Estudo brasileiro vê menos alterações hereditárias em câncer de próstata
Pesquisa com 193 pacientes do SUS encontrou alteração herdada em 5,7%, índice menor que o de EUA e Europa. Autores pedem cautela na interpretação.
Revisão editorial: SabrinaEditora Sênior · ver perfil

Resumo rápido
- Estudo brasileiro analisou o DNA de 193 pacientes do SUS com câncer de próstata metastático.
- Alteração herdada em genes ligados ao câncer de próstata apareceu em 5,7% dos participantes.
- Em estudos nos EUA e na Europa, o índice chega a até 17%, segundo a Folha.
- Autores dizem que os dados são apenas um indicativo e pedem novos estudos.
Um estudo realizado no Brasil indica que alterações genéticas herdadas dos pais são menos frequentes em homens com câncer de próstata metastático do que o observado em outras populações, como a norte-americana e a europeia. O trabalho foi divulgado pela Folha em 2 de novembro de 2026.
A pesquisa analisou o DNA de 193 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), de todas as cinco regiões do país. Em genes diretamente ligados ao câncer de próstata, os pesquisadores encontraram alteração herdada em 5,7% deles, proporção inferior à registrada em outros países.
Os autores, porém, ressaltam que os resultados são apenas um indicativo. Segundo eles, ainda não é possível afirmar que a doença tenha menos origem hereditária entre os brasileiros do que entre pessoas de outras nacionalidades. Para confirmar se a diferença se mantém, seriam necessários novos estudos, com mais pacientes e amostras de melhor qualidade.
O que o estudo analisou
O trabalho integra o projeto Onco-Genomas Brasil e foi publicado na revista científica Genetics in Medicine Open. Ele faz parte do programa Genomas Brasil, parceria entre o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, e o Ministério da Saúde para estudar a genética da população brasileira em diferentes doenças.
O câncer de próstata metastático é aquele em que o tumor já se espalhou para outras partes do corpo, como os ossos. Entre outubro de 2022 e dezembro de 2023, a equipe recrutou 193 homens nessa condição, atendidos pela rede pública, com idade média de 68 anos. De cada paciente, foram analisados o DNA do sangue, que mostra o que foi herdado, e o DNA do tumor, que revela o que foi adquirido ao longo da vida.
As alterações herdadas, também chamadas de germinativas, vêm do pai ou da mãe, estão presentes desde o nascimento em todas as células do corpo e podem ser transmitidas aos filhos. Elas não causam o câncer por si só, mas elevam o risco de desenvolvê-lo. Já as alterações adquiridas, ou somáticas, surgem apenas nas células do tumor e não são repassadas.
Números e comparação com outros países
Ao examinar 148 genes ligados ao câncer em geral, os pesquisadores identificaram alguma alteração herdada em 9,8% dos pacientes. Quando a análise se restringiu aos genes sabidamente associados ao risco de câncer de próstata, o índice caiu para 5,7%. De acordo com a Folha, esse percentual é menor que o de alguns estudos com populações dos Estados Unidos e da Europa.
A reportagem informa ainda que, segundo estimativas, cerca de 10% de todos os tumores no mundo têm origem hereditária. Em pesquisas com pacientes de câncer de próstata nos Estados Unidos e na Europa, essa taxa chega a até 17%.
Os autores alertam que a diferença não deve ser interpretada apenas como uma característica biológica dos brasileiros. O geneticista Gabriel Macedo, do Hospital Moinhos de Vento e da Rede D'Or, responsável pela parte genética do estudo, afirmou que a contribuição genética parece ser menor no país, mas que ainda não há base para uma conclusão definitiva. Ele também levantou a possibilidade de haver, entre os brasileiros, mais alterações cujo impacto ainda não se sabe explicar, em razão dos bancos de dados usados para interpretar os resultados genéticos.
O que muda na prática
O estudo não traz recomendações para pacientes ou familiares, e as fontes não detalham mudanças em protocolos de atendimento ou de testagem no SUS. Os resultados servem, por ora, como indicativo para novas pesquisas. Dúvidas sobre histórico familiar, exames genéticos ou tratamento devem ser levadas a um profissional de saúde, que pode orientar cada caso individualmente.
Perguntas frequentes
O estudo prova que o câncer de próstata é menos hereditário no Brasil?
Não. Os autores afirmam que os dados são apenas um indicativo e que novos estudos, com mais pacientes e amostras de melhor qualidade, são necessários para confirmar a diferença.
Quantos pacientes foram analisados e onde?
Foram 193 homens com câncer de próstata metastático, atendidos pelo SUS nas cinco regiões do país, recrutados entre outubro de 2022 e dezembro de 2023.
Fontes
FolhaComentários
Aviso: conteúdo informativo, baseado em fontes públicas. Não substitui consulta, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde.
Texto produzido com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima e revisado pela redação. Encontrou um erro? Fale com a gente.
Leia também
Câncer em crises: como o SUS pode manter o cuidado, segundo texto do g1
Estudo com 28 mil pessoas liga proteína BACH2 à produção de hemoglobina fetal
Pílula anticoncepcional masculina em estudo nos EUA mira bloquear espermatozoides